Fed mostra piora na condição financeira das famílias dos EUA após Covid-19

Relatório mostra que condições financeiras "mudaram dramaticamente" para aqueles que perderam seus empregos ou tiveram redução de jornada após pandemia

Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 16:37 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 16:38

Um número recorde de norte-americanos solicitou seguro-desemprego na última semana

Foto: Angela Weiss - 26.mar /AFP/Getty Images

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) divulgou a mais recente pesquisa sobre bem-estar econômico entre a população dos Estados Unidos. O estudo concluiu que as condições financeiras "mudaram dramaticamente" para aqueles que perderam seus empregos ou tiveram redução no número de horas trabalhadas por causa da pandemia do novo coronavírus. 

Como era esperado, em abril havia menos adultos que responderam estar se saindo bem financeiramente, na comparação com seis meses antes. Na pesquisa mais recente, 72% dos adultos disseram estar "se saindo razoavelmente" financeiramente ou "vivendo de modo confortável, quando em outubro do ano passado 75% diziam estar se saindo ao menos "razoavelmente".

O levantamento compara uma pesquisa feita em outubro de 2019, com mais de 12 mil adultos, e uma outra, realizada entre 3 e 6 de abril de 2020, com pouco mais de 1 mil adultos, com foco nos efeitos sobre o mercado de trabalho e nas circunstâncias financeiras das famílias na crise.

Segundo o estudo, quase 40% daqueles com renda familiar abaixo de US$ 40 mil anuais relataram perda de emprego em março. Do início de março até o início de abril deste ano, 19% dos adultos americanos declararam que perderam o emprego, foram afastados ou tiveram suas horas reduzidas. Mais de um terço dessas pessoas espera ter dificuldade para pagar suas contas em abril.

Ao comentar o relatório, a diretora do Fed, Michell Bowman, avalia que já no início da crise uma parcela maior dos americanos enfrentavam mais dificuldades financeiras.

Também dentro do esperado, pessoas que vivem em comunidades com renda baixa ou moderada reportaram níveis mais baixos de bem-estar. Na mesma linha americanos considerados minorias, como negros e hispânicos, sofrem de forma mais acentuada as consequências financeiras da pandemia. A hipótese mais provável é que essa população trabalhe em setores que estão demitindo ou dispensando mais, como bares e restaurantes.

*Com informações do Estadão Conteúdo