Assistência permite que Brasil atravesse crise sem grandes perdas, diz Mansueto

Na avaliação do secretário do Tesouro Nacional, o governo federal vai precisar priorizar programas similares ao Bolsa Família no cenário pós-pandemia

Anna Russi, Da CNN, em Brasília
19 de maio de 2020 às 17:48
O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. 27 de Fevereiro de 2020.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, acredita que a rede de assistência social do Brasil permite que o país atravesse a crise causada pela pandemia da Covid-19 sem grandes perdas. "Nossa rede de assistência social nos permite atravessar crise sem grandes perdas ou riscos", disse.

Ele participou de videoconferência da Câmara de Comércio França-Brasil, nesta terça-feira(19). Na avaliação do secretário, embora estender a duração do auxílio emergencial de R$ 600 não seja solução sustentável para o país, o governo federal vai precisar priorizar programas similares ao Bolsa Família no cenário pós-pandemia.

"O processo de lockdown não passou de três meses em nenhum lugar, temos que ver como isso vai acontecer no Brasil antes de discutir renovação de programa. O auxílio emergencial vai custar 2% do PIB em apenas três meses, então, é impossível ampliar a duração. É algo emergencial. Temos que focar na melhoria do Bolsa Família", explicou. Ele admitiu ainda que será necessário melhorar a qualidade de educação e aumentar os gastos com saúde.

O secretário voltou a lembrar ainda que apesar dos impactos da crise na atividade econômica, com previsão de queda de 4,7% do PIB, o fato de os juros estarem em um patamar baixo no país vão ajudar a retomada. "Dado que metade da dívida brasileira depende de juros baixo, pelo menos isso é uma boa notícia", comentou.

Ele também ressaltou novamente a importância das reformas para esse caminho de recuperação econômica. "A gente precisa avançar nas reformas porque faz toda a diferença par ao potencial de crescimento do Brasil e para o pagamento da dívida", reforçou.

Para ele, os projetos encaminhados ao Congresso antes da crise são essenciais para que o país seja visto por investidores como atrativo após a pandemia. "O mundo vai sair dessa crise em busca de oportunidades de investimentos. Se o brasil conseguir fazer reformas e sinalizar a possibilidade de um bom retorno econômico, o investimento privado vem. O desafio será essa sinalização das reformas", completou.

Sistema tributário

Ao longo da conversa, o secretário classificou a reforma tributária como a mais importante para o país, após a previdenciária. Embora não acredite na aprovação do texto neste ano, de acordo com ele, avançar neste debate será essencial para a melhoria do ambiente de negócios do país.

Em relação a possibilidade de um novo imposto sobre transações, o secretário acredita que o objetivo e o desenho do tributo têm que ser discutidos de forma cuidadosa. “Nosso sistema tributário é altamente cumulativo. Temos tantas ineficiências que temos que avançar em reduzi-las antes de passar para algo radical, mas não sou contra nenhum debate, inclusive imposto sobre transações”, ponderou.