Ibovespa fecha em queda com dúvidas sobre Covid-19 no radar

Bancos pressionaram na ponta de baixa, com Itaú caindo mais de 4%, enquanto Vale e ações de varejo figuraram entre os destaques de alta

Do CNN Business*, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 10:15 | Atualizado 19 de maio de 2020 às 18:36
Durante as negociações, o Ibovespa oscilou dos 80,6 mil pontos aos 82,1 mil pontos
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (19), após operar no azul durante parte do pregão, diante de incertezas sobre a pandemia da Covid-19 nas economias, além de receios quanto ao risco de uma segunda onda de contaminação pelo vírus.

Referência do mercado acionário brasileiro, o índice recuou 0,56%, a 80.742 pontos.

Bancos pressionaram na ponta de baixa, com Itaú Unibanco caindo mais de 4%, enquanto Vale e ações de varejo figuraram entre os destaques de alta.

Durante as negociações, o Ibovespa oscilou dos 80.647 pontos aos 82.174 pontos. O volume financeiro somou R$ 24,5 bilhões.

Para o gestor Alfredo Menezes, da Armor Capital, uma retomada mais consistente nos mercados ainda depende de uma vacina ou medicamento eficaz contra a Covid-19. Do contrário, consumidores continuarão temerosos para retomar suas rotinas, o que seguirá pressionando as economias.

"É muito importante eliminar o medo das pessoas, e isso só vai ocorrer com a vacina ou remédio eficiente", afirmou, acrescentando ainda que nesse cenário a recuperação da atividade econômica seria mais rápida.

Na véspera, o Ibovespa fechou na maior alta em seis semanas. A valorização ocorreu diante do anúncio de que uma vacina experimental contra a Covid-19, testada pela empresa norte-americana Moderna, se mostrou potencial em um estudo limitado e de estágio inicial. Mas, nesta sessão, reportagem do STAT News, voltado para temas de saúde, questionou a validade dos resultados.

Atualmente não existem tratamentos aprovados para a Covid-19 e especialistas preveem que uma vacina segura e eficiente pode demorar de 12 a 18 meses.

No Brasil, investidores também repercutiram a possibilidade de fechamento da B3 nos próximos dias em razão da antecipação de feriados na cidade de São Paulo, decretada como medida de combate ao Covid-19. Porém, na parte da tarde, a operadora da bolsa brasileira comunicou que manterá todas as suas atividades.

"A grande questão do feriado é a surpresa. Ser pego de surpresa é algo de que os investidores não costumam gostar", afirmou o analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

Lá fora

Nos Estados Unidos, o mercado encerrou o dia em baixa, com investidores com as atenções concentradas na reportagem que questionou os resultados dos testes da vacina da Moderna. 

As ações da empresa desabaram em torno de 10% após a reportagem -- na véspera, elas tinham disparado 25%. Já os principais índices recuaram para as mínimas da sessão. O S&P 500 fechou com variação negativa de 1,05%, tendo ainda no radar resultados corporativos e novas declarações do chairman do Federal Reserve. O Dow Jones caiu 1,59%.

Os índices acionários europeus também fecharam em baixa nesta terça, após um rali na sessão anterior. Os índices bancário e de telecomunicações caíram, opondo-se ao otimismo de um plano de estímulo para a União Europeia. O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,59%, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,61%, depois de ter subido 0,5% na abertura.

As ações da zona do euro (STOXXE) também caíram 0,7%, apesar de um reforço dos pedidos da França e da Alemanha, na segunda-feira, pela criação de um fundo de recuperação de 500 bilhões de euros para oferecer auxílio a regiões e setores da UE mais afetados pela pandemia.

Na China, os índices acionários fecharam em alta. O índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen avançou 0,85%.

Destaques na B3

Itaú Unibanco caiu 4,32%, pior desempenho entre os grandes bancos de varejo, que seguem pressionados pelas perspectivas desfavoráveis para a economia brasileira, além de potenciais medidas nocivas ao setor financeiro como alternativas para atenuar o impacto econômico do Covid-19. Bradesco cedeu 2,94%.

Vale ON subiu 2,3%, com os futuros do minério de ferro na China avançando pelo quinto dia consecutivo nesta terça-feira, sustentados por uma perspectiva positiva para a demanda doméstica. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON fechou em alta de 5,56%.

Petrobras PN valorizou-se 0,76%, em sessão de desempenho misto dos contratos do petróleo no exterior, com o noticiário da companhia contemplando declarações do presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco, de que prevê anunciar em pouco tempo notícias relacionadas à venda de ativos. Petrobras ON caiu 0,62%.

Gol PN e Azul PN recuaram 6,28% e 5,14%, respectivamente, após forte valorização na véspera, conforme o dólar voltou a subir ante o real e permanece nebuloso o cenário para a recuperação das companhias aéreas. Na segunda-feira, Gol fechou em alta de 14,46% e Azul disparou 29,87%. Perto do final do pregão, Gol anunciou um aumento de sua malha aérea em junho ante maio.

B2W ON subiu 9,56% e Magazine Luiza ON avançou 5,08%, em meio a perspectivas mais favoráveis para o comércio eletrônico em meio à pandemia. Via Varejo ON ganhou 4,74%, tendo ainda de pano de fundo confirmação crédito fiscal de R$ 374 milhões em caso sobre base de cálculo de PIS/Cofins. 

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*Com informações da Reuters