Expectativa de reabertura econômica faz Ibovespa subir, com impulso de aéreas

Contribuiu positivamente aos negócios a declaração do governador João Doria de que a quarentena em São Paulo será afrouxada de forma escalonada

Do CNN Business*
20 de maio de 2020 às 10:12 | Atualizado 20 de maio de 2020 às 18:35
Funcionário caminha pelos corredores da B3
Foto: Leonardo Benassatto/Reuters

O Ibovespa, principal índice acionário da B3, terminou em alta nesta quarta-feira (20), embalado pelo otimismo em relação a reabertura e recuperação das economias, afetadas pela pandemia do Covid-19. No final da sessão, o índice avançou 0,71%, a 81.319,45 pontos, tendo superado os 82 mil pontos  no melhor momento. O volume financeiro totalizou R$ 22,5 bilhões.

Tal desempenho reflete o quão volátil permanece a bolsa, que, na terça-feira, o fechou em baixa 0,56%, um dia depois de registrar a maior alta percentual diária para fechamento em seis semanas.

Entre os destaques de alta de hoje, Azul PN e GOL PN tiveram valorização de 12,31% e 8,84%, respectivamente. Ambas as companhias áreas anunciaram aumento de voos para o mês de junho. A queda do dólar na sessão de hoje consolidou o movimento. Ainda no setor de viagens, CVC ON subiu 6,87%.

Em Wall Street, o S&P 500 avançou de 1,67%, conforme investidores voltaram a apostar em uma rápida recuperação econômica após paralisações causadas pelo coronavírus e no potencial de mais medidas de estímulo do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos).

"Após uma breve realização de lucros na tarde de ontem, em cima de notícias que colocam em suspeição os resultados positivos da vacina do (laboratório) Moderna na segunda-feira, os ativos de risco apresentam recuperação essa manhã", afirmou o estrategista Dan Kawa, sócio na TAG Investimentos.

Na visão do gestor Werner Roger, da Trígono Capital, o mercado parece querer se apegar em notícias como vacinas, redução no número de mortes, inflexão na curva de infectados, retomada da atividade em alguns países, diminuição nas restrições de mobilidade e esforço conjunto dos governos, bancos centrais e formuladores de políticas econômicas.

Outro fator que corrobora compras de ações também, segundo Roger, é que não sobram muitas opções de investimentos "pois os juros permanecerão baixos por muito tempo, sem pressões inflacionárias e trilhões de dólares despejados pelos bancos centrais e tesouro inundando o mercado com liquidez".

Abertura em São Paulo 

No Brasil, animou os mercados a declaração do governador de São Paulo, João Doria, à rádio Jovem Pan que a quarentena no Estado será afrouxada de forma escalonada e heterogênea a partir de 1º de junho.

"Haverá um período, sim, a partir de 1 de junho em fases escalonadas, cuidadosas, zelosas e isso feito com o setor privado para a flexibilização. Mas quando possível. Neste momento, não. Nós estamos no pior momento do coronavírus no Brasil, não é em São Paulo", disse Doria na entrevista.

Lá fora

Os três principais índices de Wall Street tiveram o quarto ganho em cinco sessões, conforme investidores voltaram a apostar em uma rápida recuperação econômica após paralisações causadas pelo coronavírus e no potencial de mais medidas de estímulo do Fed. 

O Dow Jones subiu 1,52%, para 24.575,9 pontos, o S&P 500 ganhou 1,67%, para 2.971,61 pontos, e o Nasdaq Composite acrescentou 2,08%, para 9.375,78 pontos, com as ações do Facebook e Amazon saltando a máximas históricas.

Na Europa, as ações europeias subiram, captando a força de Wall Street por esperanças de uma recuperação da crise econômica causada pelo coronavírus e em meio a alta em ações de tecnologia nos dois lados do Atlântico.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,97%, a 1.340 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,98%, a 343 pontos, depois de ter caído até 0,8% na abertura. O principal índice de ações da zona do euro ganhou 1,4%.

Na China, os índices acionários fecharam em queda. Investidores seguem cautelosos, aguardando os planos econômicos do governo chinês, que devem ser discutidos durante as reuniões políticas anuais do país. O Parlamento da China inicia uma importante sessão na sexta-feira (22), enquanto a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês começa um dia antes.

O índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,53%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 0,51%. Os principais responsáveis foram o setor imobiliário, que caiu 1,21%, e o subíndice de saúde, que despencou 1,18%.

*Com informações da Reuters

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