Com decisão dos EUA, prazo de retomada do turismo preocupa, dizem especialistas

Proibição de visitantes vindo do Brasil foi anunciada no domingo (24) como medida de combate ao novo coronavírus

Da CNN em São Paulo
25 de maio de 2020 às 14:08

O presidente norte-americano, Donald Trump, determinou no domingo (24) a restrição para entrada de pessoas vindas do Brasil nos Estados Unidos. A regra é para quem esteve no país nos 14 dias anteriores ao da tentativa de entrar nos EUA e não vale para norte-americanos e residentes permanentes legais. 

Em entrevista à CNN, Bruno Omori, presidente do Instituto de Desenvolvimento, Turismo, Cultura, Esporte e Meio Ambiente (IDT-CEMA); Fabio Rossi,  sócio-diretor do grupo Flytour, e Dyogo Oliveira presidente da Associação Nacional das Empresas Administradoras de Aeroportos (Aneaa), afirmaram que a decisão preocupa e levanta questionamentos sobre o prazo real para a retomada do turismo no Brasil. Os empresários analisaram o cenário pós pandemia e afirmaram que "o futuro será de menos deslocamentos". 

Oliveira afirmou que as limitações já existiam, mas não deixa de ser alarmante para o setor."Essa medida preocupa um pouco o setor, mais ainda pela sinalização que ela traz, do que o efeito prático, uma vez que já estávamos com restrições. O tráfego já estava limitado, mas nos preocupa. Com essas medidas anunciadas, o prazo para a retomada será ainda mais longo. Quanto ao tráfego doméstico, vai depender das nossas medidas de restrição e da confiança do passageiro para retornar a voar.", disse. 

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"O turismo é um dos maiores segmentos do mundo. O norte-americano representa, em média, 600 mil turistas que passam pelo país e o Brasil representa em torno de 7 milhões de brasileiros nos Estados Unidos. Então a medida impacta diretamente as importações, o fluxo de turismo em milhões de dólares, no ponto de vista de emissores. Portanto, tem impacto direto na relação de emprego e renda", argumentou Omori. 

Para Rossi, quanto mais restrições, maior será o tempo para a retomada do setor, principalmente nas agências de turismo. O empresário afirmou que o faturamento, que antes era de R$ 6 bi, atualmente está sendo de apenas R$ 1,8 bi. 

"Na nossa visão de empresa de turismo, estamos em uma situação bem delicada. Estamos falando do nosso faturamento de quase R$6 bi, não estamos faturando nem 2% do montante. Essa medida do Trump nos deixa com maior preocupação em relação a retomada. Porque, neste momento, essa medida não tem efeito nenhum pois não tem muitos voos para o país. Estamos preocupados em como ela afeta na reabertura, quando esse setor de fato vai voltar a se movimentar. Quando os EUA toma uma decisão, o problema é que outros países acompanham", explicou Rossi.

Questionados sobre 'o novo normal', Dyogo afirmou que, para o setor de transporte aéreo, o novo coronavírus é a maior crise já enfrentada. "Essa vai ser a grande crise da história do setor que vai gerar novos modelos de negócio e novos comportamentos dos passageiros e, principalmente, vai gerar uma grande mudança no volume de transportes ao nosso ver. Acredito em uma crise mais prolongada no nosso setor, o novo normal significa menos deslocamento".

Questionados sobre 'o novo normal', Dyogo afirmou que, para o setor de transporte aéreo, o novo coronavírus é a maior crise já enfrentada. "Essa vai ser a grande crise da história do setor que vai gerar novos modelos de negócio e novos comportamentos dos passageiros e, principalmente, vai gerar uma grande mudança no volume de transportes ao nosso ver. Acredito em uma crise mais prolongada no nosso setor, o novo normal significa menos deslocamento", diz.

Omori acredita que o novo período pode trazer novos caminhos para serem trabalhados no setor, como tentativa de atrair novamente os turistas. "O novo normal significa novas condições em relação a higienização, que é o caso das máscaras por exemplo. O grande desafio do turismo é onde tem a maior aglomeração das pessoas. Nós acreditamos que gradualmente nós vamos chegando em números habituais de viajantes. Mas precisamos que os créditos cheguem a esses empresários e também da inovação de novas demandas

"A visão que temos, como agência de viagens, daqui um ano nós chegaremos a 70% do que a gente fazia no momento normal. Ou seja, nós teremos uma construção até chegar nessa porcentagem. Então imagina o tamanho deste desafio. No Brasil, esse número chegará a 40%, mas a grande questão aqui é a confiança. Se tivermos uma vacina, por exemplo. Então a indústria do turismo vai passar por momentos muito difíceis e que tudo se resolva. Caso contrário, teremos que nos reeinventar", concluiu Rossi.