Consumo de eletricidade no Brasil pode cair até 12% em 2020, diz consultoria

A previsão é mais pessimista do que de outros órgão do setor, que projetam retração de 2,9% no ano

Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
25 de maio de 2020 às 14:24 | Atualizado 25 de maio de 2020 às 20:51

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O consumo de eletricidade, importante indicador da atividade econômica, pode ter queda de 5% a 12% no Brasil em 2020, em meio a impactos da pandemia de coronavírus sobre a demanda, apontou a consultoria especializada RegE, de um ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A projeção, se confirmada, representaria um cenário bem pior que as últimas estimativas da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e de outros órgãos técnicos do setor. Até o final de março, as previsões de EPE, Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) eram de recuo de apenas 0,9% no consumo.

A consultoria RegE, que tem entre os sócios um ex-diretor da Aneel, Tiago de Barros, avaliou em relatório a clientes que a desaceleração da economia impactará fortemente o consumo de energia elétrica, que poderia cair 4,7% em cenário considerado "otimista".

Em visão "moderada", o recuo na demanda poderia ser de 7,9%, enquanto um cenário "pessimista" poderia levar a um tombo de 12,3% no uso de eletricidade, segundo estimativas próprias da ReGe.

Em um cenário "normal", sem a pandemia, o consumo de eletricidade poderia ter crescido 4,5% no país em 2020 --número em linha com as estimativas de EPE, ONS e CCEE no final do ano passado.

As projeções da consultoria levam em consideração uma queda de 3,6% no PIB brasileiro no cenário otimista e de 6,1% no moderado, enquanto a visão pessimista envolveria recuo de 9,5% na economia.

Em sua última revisão de estimativas, EPE, ONS e CCEE levaram em conta expectativa de queda de 5% no PIB em 2020.

A expectativa de analistas de mercado para o desempenho da economia brasileira neste ano é de uma queda de 5,89%, segundo boletim Focus publicado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (25), contra queda de 5,12% na semana anterior.

A consultoria ReGe apontou ainda que a redução do consumo tem sido mais expressiva no mercado livre de eletricidade, no qual grandes clientes como indústrias negociam seu suprimento diretamente com geradores e comercializadores, o que será acompanhado por renegociações de contratos e até possível aumento da inadimplência nesse setor.

Ajuda de até R$ 15,6 bi

Uma operação em estruturação no governo para apoiar distribuidoras de energia por meio de empréstimos envolverá um valor teto de R$ 15,6 bilhões, informou a Aneel, nesta segunda-feira. Os financiamentos, alvo de negociações entre empresas do setor e os ministérios de Minas e Energia e da Economia, serão viabilizados por meio de um grupo de bancos liderado pelo BNDES.

A Aneel não forneceu maiores detalhes de imediato. A agência deverá abrir na terça-feira (26) uma consulta pública sobre a operação de ajudar ao setor de distribuição.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o setor tem desde 18 de março uma inadimplência acumulada de 10,16%, contra média mensal de 2,4% no primeiro semestre de 2019. O impacto financeiro estimado sobre as elétricas é de R$ 5,565 bilhões, sendo R$ 3,27 bilhões pelos atrasos em pagamentos.

Em meados de março, com o início de quarentenas no Brasil, a Aneel decidiu que as distribuidoras não poderiam cortar o fornecimento para clientes residenciais e empresas de serviços essenciais por 90 dias mesmo em caso de inadimplência.

Entre os principais investidores do setor de distribuição de energia no Brasil estão a italiana Enel, o grupo espanhol Iberdrola, por meio da Neoenergia, e a chinesa State Grid, dona da CPFL, além das locais Energisa e Equatorial.

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*Com informações da Reuters