Após cinco meses, emissões de títulos do Tesouro Direto superam resgates

Em abril, os novos investimentos somaram quase R$ 3 bilhões, enquanto a retirada de títulos do mercado totalizou aproximadamente R$ 1,4 bilhão

Anna Russi, da CNN, em Brasília
26 de maio de 2020 às 17:29

Pela primeira vez em cinco meses, as emissões de títulos do programa Tesouro Direto superaram os resgates de papéis.

Notas de real: Em abril, os novos investimentos somaram quase R$ 3 bilhões, enquanto a retirada de títulos do mercado totalizou aproximadamente R$ 1,4 bilhão
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os dados do balanço do Tesouro Direto foram divulgados nesta terça-feira (26), pelo Ministério da Economia. A emissão líquida no mês passado foi de R$ 1,568 bilhão. Este é o maior valor da série histórica, inciada em 2005. 

O título mais demandado pelos investidores foi o indexado à Selic, que totalizaram R$ 1,61 bilhão, com participação de 54,2% das vendas. A retirada de títulos antecipados, chamada de recompra, também concentrou papéis indexados à taxa básica de juros. Somando R$ 736 milhões, eles representaram 52,7% do total de recompras. 

Com a série de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que está atualmente na mínima histórica de 3% ao ano, a remuneração dos títulos públicos recuou. Assim, os títulos comprados antes da queda da taxa de juros valorizaram, deixando mais vantajosa a venda desses papéis. 

Investidores e estoque

Com 256.197 novos investidores, o total de cadastrados ao fim de abril alcançou os 6.768.777. O número representa uma alta de 68,9% nos últimos 12 meses. Já os investidores ativos atingiram 1.247.338, subindo 23,9% no mesmo período. 

O saldo total de títulos no mercado atingiu os R$ 60,24 bilhões no mês passado, representando alta de 3,09% ante o mês anterior. 

Segundo a secretaria do Tesouro Nacional, os títulos remunerados por índices de preços, ou seja, aqueles atrelados à inflação, respondem pelo maior volume no estoque, alcançando 49,2%. Os títulos indexados à taxa Selic têm participação de 33,1% e os títulos prefixados representam 17,7%.