Ibovespa cai 1,13%, após atritos entre EUA e China e ruído político no Brasil

Ameaças de uma nova guerra comercial entre as duas potências mundiais e de crise institucional no Brasil provocaram instabilidade ao pregão na B3

Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
28 de maio de 2020 às 10:13 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 18:13
Operador da bolsa de valores brasileira, a B3
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Após um dia de realização de lucros, a bolsa paulista terminou em queda de mais de 1% nesta quinta-feira (28), no embalo de atritos comerciais entre China e Estados Unidos e do conflito institucional no Brasil envolvendo governo, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF).

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 1,13%, aos 86.949,09 pontos. Na máxima, alcançada por volta de 15h, o índice foi aos 88.090,67 pontos, alta de 0,16% no dia. Na mínima, batida às 11h35, desceu aos 86.769,52 pontos, baixa de 1,34%. O volume financeiro no pregão somou R$ 23,88 bilhões.

Em dia de importantes dados macroeconômicos no Brasil, investidores pesaram na balança as expectativas em torno de uma recuperação econômica, de um lado, e a crescente tensão comercial entre EUA e China, do outro. 

O Parlamento chinês aprovou nesta quinta-feira a decisão de levar adiante uma legislação de segurança nacional para Hong Kong, que vinha sendo fortemente criticada pelos EUA, que prometeu uma reação forte.

O principal assessor econômico de Trump disse nesta quinta-que pode ser necessário tratar Hong Kong como a China no que diz respeito ao comércio e outras questões financeiras

Na cena brasileira, a operação da Polícia Federal (PF) que cumpriu mandados de busca e apreensão na quarta-feira contra pessoas aliadas aos presidente Jair Bolsonaro e acusadas de envolvimento na produção e distribuição e fake news, acirrou o conflito institucional envolvendo o governo, o Congresso e o STF. 

Bolsonaro disse nesta quinta-feira que "não haverá mais outro dia como ontem". Visivelmente irritado, o presidente afirmou que não se pode mais aceitar que pessoas tomem decisões individuais em nome de todos e que se está armando mais uma crise para 'atrapalhar o Brasil".

Em relatório a clientes nesta quinta-feira, a equipe de estratégia global do Credit Suisse elevou a recomendação das ações brasileiras para um 'pequeno' overweight (indicação de valorização), de underweight dentro do universo de mercados emergentes.

No âmbito econômico, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou o plano de reabertura da cidade. Entre os principais dados divulgados, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), anunciou os dados sobre o desemprego coletados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Entre os resultados, a taxa de desocupação no Brasil passou de 11,2% para 12,6%, atingindo 12,8 milhões de pessoas.

"Graficamente, o mercado vem melhorando e chegamos muito próximos dos alvos, um deles o de 90 mil pontos, pois já praticamente encostamos nele", observou o analista Fernando Góes, da Clear Corretora.

"É provável e normal que o mercado faça algum tipo de realização até 84, 85 mil pontos. Mas já começamos a enxergar no gráfico que isso viria a ser um ponto de compra, principalmente se o mercado esticar um pouco mais e chegar aos 90 mil pontos, antes da realização."

Lá fora

No exterior, investidores seguiram atentos às ameaças de uma nova guerra comercial entre Estados Unidos (EUA) e China. Por conta disso, apesar de os acionários da China fecharem a quinta-feira em alta, os ganhos foram contidos. O índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0297%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,33%.

Wall Street encerrou em queda nesta quinta-feira após uma inversão ao fim da sessão, com o Facebook pesando no mercado depois que o presidente Donald Trump anunciou uma ordem executiva relacionada a empresas de mídia social e anunciou que fará um entrevista coletiva sobre a China na sexta-feira.

As ações do Twitter recuaram 4,4% e as do Facebook caíram 1,6% após as notícias da ordem executiva. Após o fechamento do mercado, a Casa Branca disse que Trump assinou o pedido, o que remove a proteção de responsabilidade que as empresas dispõem hoje.

O Dow Jones encerrou em queda de 0,58%, aos 25.400,64 pontos, o S&P500 perdeu 0,21%, para 3.029,73 pontos, e o Nasdaq caiu 0,46%, para 9.368,99 pontos.

Já as ações europeias subiram pela quarta sessão consecutiva, com o otimismo em relação à retomada das atividades das empresas e o estímulo à economia da zona do euro . O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,58%, a 1.385 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 1,64%, a 355 pontos.

*Com informações da Reuters

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