Itaú corta estimativa de inflação a 1,8% em 2020, mas mantém cenário para Selic


Reuters
05 de junho de 2020 às 13:50
Iniciativa do Itaú combaterá a COVID-19 e seus efeitos sobre a sociedade

Fachada de uma das unidades do banco privado Itaú (6.jul.2017)

Foto: Pilar Olivares/Reuters

O Itaú Unibanco revisou para baixo a expectativa para a inflação neste ano e no próximo e previu que o CMN definirá a meta de 2023 em 3,25% ou 3,00%.

O banco passou a ver variação do IPCA de 1,8% em 2020, ante 2,0% na projeção anterior e ainda mais abaixo do limite inferior de 2,5% da banda definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano, com centro da meta em 4% e tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

"Parte do reajuste decorre da decisão da Aneel de manter o patamar de bandeira verde nas contas de energia elétrica ao longo do ano", disse o Itaú em revisão de cenário. O banco estima deflação no segundo trimestre, o que deve levar a inflação acumulada no primeiro semestre para perto de zero, antes de alguma retomada da atividade nos últimos seis meses do ano.

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O Itaú chama atenção para efeito "potencialmente altista" à inflação oriundo da taxa de câmbio mais depreciada, o que, segundo o banco, já se manifesta em índices de preços no atacado.

"Acreditamos, contudo, que o balanço de riscos, neste momento, permanece indicando algum viés de baixa para a nossa projeção (de IPCA)", ressalvou a instituição, que prevê inflação de 2,8% em 2021, abaixo da estimativa anterior de 3,0%. A meta de inflação para 2021 tem centro em ?3,75%, caindo a 3,50% em 2022.

Apesar da menor expectativa para alta dos preços, o Itaú manteve cenário de Selic a 2,25% ao ano para o final de 2020 e a 3,0% ao ano para dezembro de 2021, esperando corte de 0,75 ponto percentual na taxa no encontro do Copom deste mês. O juro básico está atualmente em 3%.

O Itaú entende que a capacidade do Banco Central de continuar testando novas mínimas para a taxa de juros depende dos seus impactos sobre a taxa de câmbio e, consequentemente, sobre as expectativas de inflação e estabilidade financeira.

"Por se tratar de um território desconhecido, acreditamos que o Banco Central deve atuar com cautela para evitar o risco de flexibilização monetária excessiva, o que poderia afetar preços de ativos de forma que restrinja as condições financeiras, tornando-se contraproducente", disse o Itaú.

O banco manteve prognóstico de dólar a R$ 5,75 ao fim de 2020 e R$ 4,50 em 2021. "O risco fiscal ainda elevado, a contração acentuada da atividade econômica e o cenário de juros baixos devem seguir limitando o fluxo de capitais para o Brasil ao longo deste ano e impedindo uma apreciação mais intensa da moeda", explicaram os analistas do Itaú no relatório.

O banco privado prosseguiu com previsão de contração de 4,5% do PIB em 2020 e de crescimento de 3,5% em 2021. "Dados preliminares indicam que a atividade econômica pode ter atingido seu piso em abril", disseram.