Dólar fecha em alta, em ajuste após perdas recentes e de olho em reunião do Fed

Moeda foi a R$ 4,88. Cotação vinha de 11 quedas em 14 pregões

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
09 de junho de 2020 às 09:15 | Atualizado 09 de junho de 2020 às 18:25
Dólar tinha sequência de quedas após quase alcançar patamar de R$ 6
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O dólar fechou em alta contra o real nesta terça-feira (9), em movimento de correção após fortes perdas recentes. O dia foi marcado por menor apetite por risco no exterior, com investidores à espera da reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana encerrou a sessão em valorização de 0,69%, a R$ 4,8885 na venda. 

A cotação vinha de 11 quedas em 14 pregões e acumulou baixa de 17,73% desde a máxima recorde de fechamento (de R$ 5,9012) até a véspera. 

No exterior, o dólar também subia contra outras divisas emergentes.

Analistas citaram um movimento de ajuste global nesta terça-feira após vários dias positivos para ativos arriscados, que se beneficiaram das expectativas de retomada econômica e de dados promissores sobre o emprego nos Estados Unidos.

"O dólar andou caindo demais esses últimos dias, e hoje, lá fora, está subindo em relação a outras moedas fortes, então por aqui há alguma realização de lucros", disse Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais.

"É um ajuste natural, ninguém esperava que o dólar fosse ficar caindo sem parar. É um movimento de equilíbrio do dólar, equilíbrio de juros e equilíbrio da bolsa."

Em nota, analistas do Bradesco também citaram um ajuste nos mercados, mas ressaltaram que "vetores de melhora continuam presentes diante do processo de reabertura das economias e da percepção de que o pior ficou para trás".

Efeito política monetária

Para Ettore Marchetti, sócio e cofundador da Trafalgar Investimentos, o atual patamar do câmbio não parece estar desnivelado em relação ao equilíbrio de curto prazo. E isso pode reduzir o espaço para quedas adicionais daqui para frente.

Ele chama atenção ainda para o risco de que o tema política monetária volte a influenciar as cotações, já que, em sua avaliação, o Banco Central ter soado mais "dovish" (em linhas gerais, inclinado a mais cortes de juros) do que antes. "É uma novidade de política monetária chance de o juro ir a 2%", afirmou.

A desvalorização do real nos últimos meses tem sido associada também à queda da rentabilidade da renda fixa brasileira, que seguiu o declínio da taxa básica de juros (Selic), e ao aumento da percepção de risco para o país. A Selic está na mínima recorde, em 3% ao ano.

"Taticamente, estamos comprados em dólar, porque o equilíbrio de curto prazo está mais para R$ 5,10, R$ 5,15", completou.

Ainda sobre política monetária, o foco dos mercados na quarta se volta para o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), que começou nesta terça. Não são esperadas grandes mudanças nas medidas atuais, mas investidores vão analisar com lupa avaliações dos membros do BC norte-americano sobre a atividade econômica.

*Com Reuters

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