Informais são os que mais perdem renda – e com maior intensidade, aponta estudo

Pesquisa feita pelo Guiabolso, obtida com exclusividade pelo CNN Brasil Business, mostra que entre os autônomos e informais, 61% perderam renda em abril

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
11 de junho de 2020 às 17:02 | Atualizado 11 de junho de 2020 às 17:03
Crise causada pela pandemia impactou, principalmente, a renda dos informais 
Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

As previsões sobre o impacto que a pandemia causaria à economia brasileira já estão sendo comprovadas pelos números. Dados oficiais sobre atividade dos principais setores revelam que país se “desligou” entre abril e maio. No mercado de trabalho, certamente a ponta mais dramática da crise, o cenário era esperado mas nem por isso deixa de assustar. 

Uma pesquisa feita pela plataforma digital Guiabolso, obtida com exclusividade pelo CNN Brasil Business, mostra que os autônomos e informais foram os que mais perderam renda e em maior intensidade entre abril e maio. O levantamento, feito com a base de clientes que soma mais de 57 mil pessoas, separou em três grupos a leitura sobre os impactos para cada um deles.

Um pequeno alívio já aparece nos dados de maio, quando a atividade econômica começou a voltar em alguns estados. Ainda assim, a maior parte deles segue ameaçada por uma situação de muita dificuldade.

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Entre os autônomos e informais, 61% perderam renda em abril. Uma parcela deles conseguiu se recuperar em maio, segunda a pesquisa, quando 46% disseram ter perdido a renda do trabalho. Para os celetistas a perda alcançou 54,5% em abril, com recuo para 50,10% em maio. Entre as pessoas que trabalham como pessoa jurídica, a situação também foi mais aguda em abril, quando 59,98% delas perderam renda, caindo para 49,5% em maio. 

A renda média dos pesquisados pelo Guiabolso caiu em torno de 30% nos dois meses do levantamento, com uma melhora moderada em maio. Mas, novamente, para os informais, a redução foi maior, sendo de 37,7% em abril e 31,8% no mês passado. Entre os celetistas, o recuo foi de 30,7% e depois de 28,5%, respectivamente. Os trabalhadores PJ amargaram uma perda de 37,3% no mês de abril e 32,8% no mês seguinte.

À pedido do CNN Business, o Guiabolso levantou o custo dos clientes com pagamento de juros do rotativo do cartão de crédito, a modalidade mais acionada pelos brasileiros em tempos de crise. Houve aumento de 29,3% no uso do cartão de crédito como meio de pagamento. O cartão segue sendo a opção mais cara e difícil de pagar. O resultado foi também de alta nos gastos com serviço da dívida, como já seria esperado. 

Em dezembro do ano passado, o custo médio com juros do rotativo do cartão estava em R$ 68,5 por mês. Chegou a R$ 86,00 em março e disparou entre abril e maio, subindo para R$ 96,48 e R$ 99,64, respectivamente. 

O levantamento do Guiabolso é mais uma fotografia que se soma às estatísticas do Brasil. Agora em junho, com a reabertura mais ampla da atividade econômica, os primeiros sinais mostram que a melhora iniciada timidamente em maio, ganhou força, mas não será suficiente para evitar a pior recessão dos últimos 100 anos. 

A prorrogação do auxilio emergencial de R$ 600,00 para mais dois meses, mesmo que em valor menor como quer o governo, deve suavizar muito pouco a fragilidade do orçamento dos trabalhadores. E uma recuperação mais forte do tombo provocado pela pandemia do novo coronavírus, não está ainda no horizonte.

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