Banco Mundial rejeita suspensão de dívidas do Rio Grande do Sul

Estado fez pedido em razão dos impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus

André Spigariol e Bruna Ostermann Da CNN, em Brasília e Porto Alegre
12 de junho de 2020 às 18:36 | Atualizado 12 de junho de 2020 às 18:37
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB)
Foto: Felipe Dalla Valle/Governo RS

O Banco Mundial rejeitou uma solicitação feita no final de maio pelo governador Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, que pedia a suspensão, em 2020, do pagamento das parcelas de empréstimos contraídos pelo governo gaúcho junto à instituição nas décadas passadas. Em documento ao qual a CNN teve acesso, a instituição alega que “tem por prática não reagendar os pagamentos de empréstimos devido a eventuais dificuldades financeiras de curto prazo por parte dos mutuários”. 

Uma fonte do governo gaúcho confirmou à CNN que o estado tinha a intenção de adiar os pagamentos de três empréstimos contraídos em anos anteriores. Em 2008, o estado recebeu um aporte de US$ 1,1 bilhão. Quatro anos depois, o Banco Mundial emprestou mais US$ 480 milhões. Em 2014, um novo empréstimo de US$ 280 milhões foi concedido. Os cofres públicos do RS foram impactados pela pandemia do novo coronavírus, o que motivou o pedido de adiamento. 

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Ao negar o adiamento do débito, o Banco Mundial disse a Eduardo Leite que “desviar-se dessa prática pode gerar um impacto significativo e duradouro na classificação de crédito do Banco Mundial e, portanto, em nossa capacidade de fornecer empréstimos de baixo custo aos mutuários”, explica, em carta enviada na semana passada. “Com base no exposto, informamos que aos empréstimos com atrasos nos pagamentos da dívida serão aplicadas as políticas pertinentes do Banco”, alertou a instituição.

O Ministério da Economia foi comunicado pelo Banco Mundial sobre o pedido feito por Eduardo Leite, mas integrantes da pasta entendem que o governo federal não precisa atuar no caso por enquanto, conforme apurou a CNN.