Petrobras recupera refino com melhora do mercado interno e mais exportações

As unidades de refino voltaram a operar com cerca de 75% da capacidade, bem próximo aos 77% do nível pré-crise

Reuters
12 de junho de 2020 às 18:34

Refinaria da Petrobras em Paulínia (SP)

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

As refinarias de petróleo da Petrobras tiveram boa recuperação na taxa de utilização de capacidade, com uma melhora no mercado de combustíveis no Brasil, uma queda na importação de derivados e exportações recordes de óleo combustível, especialmente do produto para navios ("bunker"), afirmou a empresa.

As unidades de refino do país, quase que todas elas pertencentes à Petrobras, voltaram a operar no patamar de utilização de cerca de 75%, bem próximo aos 77% verificados no período anterior ao início da pandemia de coronavírus, em 15 de março, conforme o mais recente boletim do Ministério de Minas e Energia (MME), com base em informação do final da semana passada.

Mas o MME não detalhou por que a Petrobras elevou a taxa de utilização das refinarias, ainda que o consumo de combustíveis no país esteja em patamar inferior ao normal, por conta das medidas de isolamento contra o coronavírus.

Em resposta a perguntas enviadas pela reportagem, a Petrobras disse que contribuíram para uma maior utilização das refinarias as exportações de óleo combustível, "impulsionadas pelo bom preço do produto no mercado internacional, bem como a recuperação da demanda de derivados no Brasil".

A Petrobras exportou um recorde de 1,1 milhão de toneladas de óleo combustível em maio, em desempenho que superou em 10% a melhor marca anterior, registrada em fevereiro de 2020.

"O mercado internacional, desde os preparativos para mudança de especificação do 'bunker' (IMO2020) nos últimos meses de 2019, vem valorizando fortemente o óleo combustível de baixo teor de enxofre", disse a estatal, citando o diferencial de seu produto, refinado em grande parte a partir do petróleo do pré-sal.

"Em função disto temos visto recordes sucessivos nos volumes que exportamos, com aproveitamento de um momento extremamente favorável em termos de margens do produto."

A empresa também disse que menores "menores importações de derivados pelos concorrentes, associadas à recuperação da demanda interna, em maio, também contribuíram para o aumento de nossas vendas e consequente elevação da taxa de utilização das refinarias".

Por fim, a empresa comentou que observou "recuperação nas vendas de diesel (o combustível mais consumido no país) no mercado brasileiro e isso contribuiu para o aumento na utilização de nossas refinarias".

A companhia não detalhou até que ponto houve uma recuperação de demanda interna de combustíveis, em meio a medidas de flexibilização do comércio e outras atividades em várias partes do país. A empresa também não indicou qual a taxa atual de uso da capacidade de refino.

Dados divulgados nesta sexta-feira pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), referentes às vendas pelas usinas no mês de maio, indicam que o mercado de combustíveis do chamado ciclo Otto (etanol e gasolina) ainda está distante de uma normalidade.

O volume total de etanol comercializado pelas unidades produtoras do centro-sul no mercado doméstico atingiu 2,04 bilhões de litros em maio, com queda de 29,43% na comparação com o valor registrado em igual período de 2019 --o ano passado, contudo, teve um consumo recorde durante o ano.

(Por Roberto Samora)