BNDES quer começar a atuar como garantidor de empréstimos ainda neste ano

Afirmação foi feita pelo presidente do banco de fomento, Gustavo Montezano, durante seminário online, nesta segunda-feira (15)

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
15 de junho de 2020 às 17:44 | Atualizado 15 de junho de 2020 às 17:54
O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, ao lado dos presidentes da Caixa, Pedro Guimarães, da República, Jair Bolsonaro e do Banco Central, Roberto Campos Neto
Foto: Divulgação/Marcos Corrêa/PR

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, afirmou que a instituição pretende começar a atuar, ainda este ano, como fiador e garantidor de empréstimos e emissões de títulos no mercado de capitais.

"A gente quer no curto prazo, espero ainda este ano ainda este ano, já começar a atuar em operações como fiador, como garantidor. É o inverso do que o BNDES fazia tradicionalmente", disse. 

Normalmente, o BNDES atua como provedor direto dos financiamentos. As novas operações vão permitir que o banco facilite a atuação de bancos multilaterais no país, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). 

"Queremos atuar como facilitador da inserção dos bancos multilaterais no Brasil. Trazer esses bancos com outra ótica de conhecimento de projeto e leitura de risco vai nos ajudar a desenvolver o mercado de infraestrutura brasileira nos melhores padrões e, também, uma segunda visão de como analisar e avaliar projetos. O BNDES não está aqui para competir e sim cooperar", destacou. 

Ele participou do seminário virtual "Retomada do crescimento por meio de investimentos em Infraestrutura", promovido pelo Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) e pelo BNDES, nesta segunda-feira (15). 

Como exemplo, Montezano citou a medida de capitalização, criada pelo Tesouro Nacional, do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), voltada para pequenas e médias empresas. "É um primeiro passo para atuarmos em escala como garantidor de empréstimos", comentou.  

Concessões

Na visão dele, após a crise, a estratégia do governo para concessões e privatizações não deve mudar, mas apenas ser intensificada de forma a atrair investimentos privados.

"Se já tínhamos a política de alavancar recursos privados por conta da situação fiscal, com o volume de gastos para combater a crise e o que ainda está por vir, com medidas de proteção social, é mais importante ainda alavancar recursos alternativos e fontes de financiamento para tocar esses projetos. A parceria do setor público com o privado se torna ainda mais eminente", afirmou. 

O secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, que também participou do debate, também observou que a aposta do governo para a retomada é na re-priorização da agenda de reformas, de forma a atrair investimentos em infraestrutura. "A Retomada do crescimento por meio de investimentos em infraestrutura", reforçou. 

Entre as novas prioridades, Guaranys, citou a reforma tributária e a manutenção do mercado de trabalho, de forma a gerar novos empregos. "É importante termos um ambiente racional e simples para que a gente possa fazer nossos negócios crescerem mais rápido. Haverá uma massa grande de desempregados, apesar das medidas para manutenção de empregos. É preciso fazer a retomada dos empregos rapidamente", avaliou. 

Na visão de Guaranys, no segundo semestre, o mundo vai mudar novamente e o Brasil voltará a ser atrativo. "Precisamos que, passado a crise, a gente retorne as nossas privatizações e concessões, focado no que precisamos para deslanchar e com os projetos de infraestrutura seguindo", ressaltou.

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