Dólar fecha em alta de quase 2% com política e possível nova onda de Covid-19

Na última semana, a alta acumulada foi de 1,16%, após três semanas consecutivas de queda

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
15 de junho de 2020 às 09:13 | Atualizado 15 de junho de 2020 às 18:40
Moeda americana voltou a operar próximo dos R$ 5,20 
Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar fechou em forte alta contra o real nesta segunda-feira (15), com investidores avaliando o noticiário local e seus impactos sobre a agenda de reformas econômicas.

A moeda, contudo, se afastou das máximas da sessão após melhora nos mercados financeiros internacionais diante da notícia de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) comprará títulos corporativos individuais a partir de terça-feira, ampliando o escopo de classes de ativos beneficiadas com seus programas de liquidez.

O dólar à vista subiu 1,92%, a R$ 5,1421 na venda. A moeda brasileira teve o pior desempenho entre as principais globais nesta sessão.

A cotação operou em alta durante todo o dia. Na máxima, disparou 3,60%, para R$ 5,2269 e, na mínima, subiu 0,68%, a 5,0797.

O mercado começou o dia reagindo à informação do fim de semana sobre o pedido de demissão de Mansueto Almeida do cargo de secretário do Tesouro Nacional.

Mansueto é bem-visto pelo mercado por defender iniciativas de responsabilidade fiscal e o anúncio da sua saída acontece em um momento de grande preocupação quanto às contas públicas, em meio ao aumento de gastos para combater os efeitos da Covid-19.

Na tarde desta segunda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o atual diretor de Programas na Secretaria Especial da Fazenda do Ministério da Economia, Bruno Funchal, será o novo secretário do Tesouro. 

Ainda em Brasília, a prisão da ativista Sara Winter e de outros cinco integrantes do grupo 300 pelo Brasil, liderado por ela e que apoia o presidente Jair Bolsonaro, voltou a colocar em destaque as acirradas tensões do Executivo com o Judiciário.  

Para a Guide Investimentos, a combinação de fatores domésticos com o exterior negativo durante a primeira parte da sessão apontava para um dia de perdas nos mercados locais.

À tarde, porém, ativos de risco em todo o mundo melhoraram o sinal com a notícia de que o Fed começará a comprar títulos corporativos na terça-feira, por meio de instrumento de crédito corporativo do mercado secundário (SMCCF, na sigla em inglês). Essa é uma das várias ferramentas de emergência recentemente lançadas pelo banco central dos Estados Unidos para melhorar o funcionamento do mercado diante da pandemia do coronavírus. 

Os índices de ações em Nova York fecharam em alta depois de quedas mais cedo, e moedas de risco abandonaram as mínimas da sessão.

"O mercado parece mais preocupado com a pandemia e seus efeitos deflacionários", disse Luis Laudisio, operador da Renascença.

Juros

Ainda nesta semana tem destaque no Brasil a decisão de política monetária do Banco Central. Há especulações de que o BC pode deixar a porta aberta para novos cortes da taxa básica de juros, a Selic, diante baixa inflação e do colapso da economia.

O real perde 21,96% no ano, pior desempenho global. A queda dos juros é citada como fator que pressionou o câmbio nos últimos tempos, já que reduziu a taxa paga por títulos de renda fixa e colocou o Brasil em desvantagem em relação a outros países emergentes com juros básicos mais elevados.

(Com informações da Reuters)

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