Dólar fecha em queda com realização de lucros nesta sexta, mas sobe na semana

Na semana, a moeda dos EUA subiu 5,41% contra o real, na maior alta desde a semana finda em 8 de maio, quando acumulou ganhos de 5,56%

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
19 de junho de 2020 às 09:17 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 18:57

Foto: Alexander Schimmeck/Unsplash

O dólar fechou em forte queda contra o real nesta sexta-feira (19), com investidores aproveitando o declínio da moeda no exterior para realizar lucros depois de um rali da cotação ao longo desta semana. 

A moeda norte-americana encerrou o dia em baixa de 0,99%, a R$ 5,3182 na venda. Durante a sessão, a cotação oscilou entre alta de 0,21%, a R$ R$ 5,3830, e queda de 1,54%, para R$ 5,2887.

Na semana, o dólar subiu 5,41% contra o real, na maior alta desde a semana finda em 8 de maio, quando acumulou ganhos de 5,56%. Até a véspera, a valorização era ainda mais forte, de 6,46% em apenas quatro sessões.

Em junho, o dólar cai 0,42% e, em 2020, salta 32,53%.

A cotação perdeu mais força na parte da tarde, após chegar ao mercado notícia de que a Apple voltará a fechar algumas lojas nos estados norte-americanos de Flórida, Arizona, Carolina do Sul e Carolina do Norte por causa do aumento no número de novos casos de coronavírus.

O fechamento reforça temores sobre efeitos econômicos de uma segunda onda de Covid-19 nos EUA e dá respaldo a falas de membros do Fed de que provavelmente serão necessários mais estímulos para ajudar na recuperação da economia norte-americana.

O Bank of America revisou recentemente a projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,85 para R$ 5,40, citando justamente a política monetária "extremamente expansiva" nos EUA e na Europa.

Mas analistas do banco ponderam que a decisão de juros do Fed neste mês provavelmente marcou o fim do rali de ativos de risco, com expectativas de que as moedas comecem a refletir maior prêmio de risco em linha com a deterioração dos fundamentos.

Para Roberto Serra, gestor sênior na Absolute Investimentos, o movimento do real nesta semana mostra que as forças de depreciação para a divisa brasileira ainda estão presentes. "Vejo o real em tendência de piora, seja pela curva de juros, pela situação do Brasil como um todo, seja pelo fiscal", afirmou.

"Não acho que seja o caso de uma depreciação forte em pouco tempo, mas de uma tendência de perda de valor ao longo do tempo. Com a fotografia de hoje, é difícil pensar no Brasil entrando num ciclo sustentável de crescimento robusto".

O Banco Central cortou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual na última quarta-feira e sinalizou chance de mais afrouxamento residual. Com isso, o diferencial de juros do Brasil com o mundo tende a diminuir mais, piorando a relação risco/retorno e desestimulando ingresso de capital para renda fixa do país.

Incertezas políticas

No Brasil, incertezas políticas continuaram no radar. Depois de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), ter sido preso na véspera, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que ele não estava foragido e foi alvo de uma prisão "espetaculosa" como se fosse "o maior bandido da face terra".

A prisão de Queiroz foi apontada por analistas como fator de impulso para a aversão a risco, e, consequentemente, para o dólar.

O dólar fechou a sessão de quinta-feira (18) em alta de 2,10%, a R$ 5,3715 na venda. 

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