Vamos começar a acabar com a redução de jornada, diz CEO da Pernambucanas


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
22 de junho de 2020 às 17:58 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 09:52

Tudo indica que o pior momento da crise econômica já passou para a Pernambucanas. A varejista afirma estar faturando 94% do que planejava antes da pandemia do novo coronavírus. O número surpreendente se explica, segundo a empresa, graças a um crescimento de 1.700% no e-commerce durante o período de isolamento social. 

A companhia não divulga dados absolutos e suas concorrentes diretas ainda não apresentaram os dados referentes a abril, maio e junho – o pico do impacto da pandemia nas vendas. Porém, rivais como Renner, Riachuelo e Hering, ainda não conseguiram retomar os patamares anteriores vistos na bolsa de valores.

As varejistas que têm se destacado na bolsa nos últimos tempos têm sido aquelas que tem operações fortes pela internet, como Magazine Luiza e Via Varejo – ambas já recuperaram todo o valor de mercado perdido durante a crise.

E, apesar de ter crescido tanto no e-commerce, a Pernambucanas depende (e muito) do varejo físico. Dona de 379 lojas em todo o Brasil, a Pernambucanas investe na reabertura das unidades para acelerar a retomada. Mais de 90% dos endereços após afrouxamento das medidas de isolamento em diversas localidades do país. Até por isso, a empresa começa a acabar com a redução de jornada (e de salários) dos seus colaboradores.

“Aplicamos a MP 936 para garantir o emprego da maioria, mas vou fazer um anúncio interno de que estamos extinguindo a redução de jornada. A gente precisa virar essa página e dar continuidade, sem esquecer, claro, da segurança e da prevenção", afirma Sergio Borriello, CEO da varejista, em entrevista ao CNN Brasil Business

E Borriello acredita que esteja, de fato, na hora de voltar à rotina normal. Mesmo com os números de infectados e mortos crescerem dia após dia, o executivo acredita que as autoridades têm a capacidade de julgar a reabertura melhor do que a própria empresa.

“Estamos deixando essa discussão (de possível reabertura precoce) de lado e trabalhando protocolos para que, quando tivermos autorização de reabertura, as portas já estejam abertas no dia seguinte”, diz. Estes protocolos variam de cidade para cidade. Há lojas que voltaram com restrição de dias, outras de dias e horários, e um terceiro grupo com limitação de dias, horários e capacidade de atendimento.

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Além disso, as lojas passaram por mudanças que podem ser estranhas para o consumidor à primeira vista. A entrada é controlada, mediante uso de máscara, álcool em gel e medição de temperatura. Boa parte dos provadores estão fechados e, nos que não estão, todas as peças experimentadas passam por período de carência até voltar às prateleiras. Na hora de pagar, caixas intermitentes, com proteção de acrílico e distanciamento social nas filas.

E, apesar de cidades como Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte repensarem seus movimentos de abertura após aumento dos casos de Covid-19, o posicionamento da marca acompanha o movimento de algumas de suas concorrentes, como Magazine Luiza e Via Varejo. Ambas começaram a reabrir suas lojas no final do mês de abril. 

Mas a Pernambucanas quer ir além. Em forte expansão nos últimos anos, a empresa promete que abrirá entre 25 e 30 novos endereços ainda em 2020. “Existem razões técnicas para isso. O investimento ficou mais barato, nosso modelo financeiro se encaixa com esse movimento. Mas também é um propósito da empresa”, diz Sergio.

E-commerce

O comércio eletrônico da Pernambucanas registrou um aumento de 1.700% durante a pandemia. Entre os itens mais buscados, segundo Borriello, estão: produtos de telefonia e informática, para aqueles que estão trabalhando e estudando em casa; cama, mesa e banho, já que as pessoas estão passando mais tempo em casa e sentem necessidade de renovar; e eletroportáteis, como panela de arroz e liquidificador, para quem está cozinhando em casa.

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Ao todo, o executivo afirma que a empresa está faturando 94% do que havia planejado antes da crise, com a maioria dos produtos respondendo bem. Um setor que sofre com as vendas online, no entanto, é o vestuário, pois existe “resistência em comprar sem realizar a prova”. O problema é que, como explicado acima, os provadores das lojas também estão interditados, o que deve ter um impacto na área. 

Sergio entende que a crise ajudará a reforçar o modelo “figital” da empresa, combinando o físico e o digital, e acredita que o Brasil pode sofrer um pouco para começar uma retomada. “É mais doloroso para nós do que para outros países que têm um pouco mais de grana. Precisamos sair de embates políticos e técnicos e pensar como vamos ajudar a reconstruir esse processo”, diz.

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