Copom: economia atingiu fundo do poço em abril e PIB terá forte queda no 1º sem


Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
23 de junho de 2020 às 08:34 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 08:55
Banco Central

Sede do Banco Central, em Brasília (29.out.2020)

Foto: Adriano Machado/Reuters

O Comitê de Política Monetária (Copom) acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha atingido seu menor patamar de desempenho deste ano no mês de abril. "Os dados relativos ao segundo trimestre corroboram a perspectiva de forte contração do PIB no período e sugerem que a atividade atingiu o seu menor patamar em abril, havendo recuperação apenas parcial em maio e junho", avalia o comitê.

A análise está na ata da 230ª reunião do comitê, realizada nos dias 5 e 6, publicada nesta terça-feira (23). O cenário básico do Copom segue considerando forte queda na atividade econômica na primeira metade do ano e recuperação gradual a partir do terceiro trimestre.

Para os membros do Copom com um possível impacto positivo na demanda agregada por meio dos programas de de estímulo de crédito e de complementação de renda, implementados pelo governo, a retomada econômica pode ser "mais rápida que a sugerida no cenário base".

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Na reunião da semana passada, o Copom optou por reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para a mínima histórica de 2,25% ao ano. O corte é uma tentativa de estímulo à economia em meio a crise causada pela pandemia da Covid-19. 

Segundo a ata, o Copom entende que o estímulo monetário já implementado até o momento é compatível com os impactos econômicos da pandemia. "Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no grau de estímulo monetário será residual", informa o documento. 

No entanto, o Comitê, destaca que seguirá atento à revisões de cenários e às expectativas de inflação. "O comitê reconhece que, em vista do cenário básico e do seu balanço de riscos, novas informações sobre a evolução da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos".

Atualmente, a projeção do Banco Mundial, de queda de 8%, é a que estima o maior tombo do PIB neste ano. O Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê recessão de 5,3%. Já os economistas do mercado financeiro esperam que a retração seja de 6,5%. 

A atual projeção do Ministério da Economia, de contração de 4,7%, ainda considera que as medidas de isolamento social terminariam no fim de maio, o que não ocorreu. Já o Banco Central vai atualizar sua previsão oficial no Relatório Trimestral de Inflação, a ser publicado na próxima quinta-feira (25).

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