Precisamos retomar a economia o mais rápido possível, diz presidente da Anfavea

Para Luiz Carlos Moraes, medidas precisam ser tomadas para estimular a compra de veículos no país

Da CNN, em São Paulo
22 de junho de 2020 às 23:04

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (22), o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse que a medida provisória 936, que permite a redução de salários e jornada de trabalho ao invés de demitirem funcionários, é uma “boa ferramenta e foi colocada em um bom momento”, mas afirmou que agora é a hora de pensar na retomada da economia.

“Muitas das nossas empresas usaram esse mecanismo [a MP 936], além daquelas que tradicionalmente usavam, como banco de horas e férias coletivas, visando manter o máximo de emprego do setor. Só que essas medidas são temporárias”, disse.

“Precisamos ter uma retomada da economia porque não conseguimos manter o emprego por muito [mais] tempo, nem o governo terá caixa para ficar pagando adicional para complementar a renda dos trabalhadores. Precisamos ter o retorno da economia o mais rápido possível”, acrescentou. 

Segundo ele, países como a Alemanha, a França, os Estados Unidos e a China, também tiveram algum mecanismo de apoio do governo, mas o setor automobilístico também recebeu. 

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“Acho que precisamos discutir esse tema no Brasil. Alguma coisa precisa ser feita para estimular [a compra]. Existe um consumidor que está interessado em trocar [o veículo], é menos gente, mas temos que aproveitar toda e qualquer oportunidade da retomada da economia”, afirmou.

Hoje, a montadora japonesa Nissan decidiu demitir 398 funcionários por causa da queda nas vendas de veículos provocada pela pandemia do novo coronavírus. O corte é equivalente a 16% do quadro total de colaboradores da companhia no Brasil. A fábrica está localizada em Resende (RJ).

Por causa da expressiva queda de vendas provocada pela pandemia, a Nissan decidiu reduzir um turno da fábrica, que volta a operar plenamente na próxima quarta-feira.

A empresa havia aderido a medida provisória do governo, que permitia a suspensão do contrato de trabalho por dois meses. O prazo terminou na última sexta-feira (19).

(Edição: André Rigue)