Dólar cai 0,73%, a R$ 5,42, com menor preocupação sobre impactos da Covid-19

Dados melhores que o esperado do mercado formal de trabalho no Brasil ajudaram no ajuste desta sessão, indicando chance de tombo menos intenso devido à pandemia

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
29 de junho de 2020 às 09:16 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 18:12

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O  dólar fechou em queda nesta segunda-feira (29), com a moeda norte-americana devolvendo parte dos fortes ganhos da semana passada, que colocaram o real entre as divisas de pior desempenho. No fim da sessão, o dólar à vista caiu 0,73%, a R$ 5,4252 reais na venda.

Dados melhores que o esperado do mercado formal de trabalho no Brasil ajudaram no ajuste desta sessão, indicando alguma chance de tombo menos intenso na atividade econômica por causa da pandemia da Covid-19.

O Brasil fechou 331.901 vagas formais de trabalho em maio, pior desempenho para o mês da série disponibilizada pelo Ministério da Economia, com início em 2010, mas numa melhora em relação à performance fortemente negativa de abril. O resultado de maio veio melhor também que o esperado por analistas de mercado.

Boa parte do sentimento negativo com o real decorre da percepção de que a economia brasileira, além de sofrer um baque com o coronavírus, poderá demorar mais do que outros países para sair da recessão. Nesse sentido, números melhores do mercado de trabalho --que se relacionam diretamente a consumo-- trazem algum alento diante de previsões de declínio da economia perto de 10% neste ano.

Quanto mais fraca a atividade, mais a inflação tende a ficar baixa, o que daria ao Banco Central espaço para seguir cortando os juros --movimento que por sua vez pressionaria mais o real por diminuir os retornos associados à moeda brasileira.

Analistas do Bank of America estão vendidos em juros em reais, o que reflete apostas em contínua queda das taxas, conforme relatório a clientes.

Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, disse que a baixa desta sessão foi um ajuste depois das fortes altas registradas pela moeda norte-americana na última sexta-feira devido a temores sobre uma segunda onda de Covid-19. Além disso, "a gente inicia a semana com alguns indicadores mostrando recuperação, e os investidores vendo o copo 'meio cheio'", completou.

A recuperação da confiança econômica na zona do euro se intensificou em junho após retomada modesta em maio, com melhora em todos os setores, mostraram dados da Comissão Europeia nesta segunda-feira, enquanto, no Brasil, a confiança da indústria mostrou forte recuperação.

Segundo analistas da Infinity Asset, o contexto atual está baseado em movimentos meramente pontuais devido à incerteza gerada pela pandemia. "Os investidores constantemente se veem frente ao dilema de responder à (oferta histórica de) liquidez ou à realidade do cenário, o qual em todos os pontos de vista é muito ruim", explicaram em nota.

No lado dos riscos negativos, os mercados citaram a alta nos casos de Covid-19 nos Estados Unidos nos últimos dias após a reabertura econômica de várias regiões do país, enquanto o total global de mortes pela doença superou 500 mil óbitos.

Cenário local 

Enquanto isso, no cenário local, o fim de semana foi mais calmo para a política brasileira, uma vez que não houve grandes manifestações no país e o presidente Jair Bolsonaro não deu declarações públicas.

"Bolsonaro parece ter adotado posição mais tranquila, tentando negociar com o centrão e amenizando o clima político", disse Denilson Alencastro. No entanto, isso "não significa trégua definitiva" para a política ou para o real, acrescentou.

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No acumulado de 2020, o dólar tem alta de cerca de 35% contra a moeda brasileira, impulsionado pelo cenário de juros baixos, incertezas políticas e econômicas.

"Por conta do diferencial de juros que a gente tem, é difícil justificar colocação no Brasil no que diz respeito à renda fixa", disse Alencastro, ressaltando que, daqui para frente, o crescimento "tem uma importância bem considerável no que veremos no preço da moeda (dólar) nos próximos períodos".

Nesta segunda-feira, o Banco Central fez leilão para rolagem de até 12 mil contratos de swap tradicional com vencimento em novembro de 2020 e março de 2021.

*Com Reuters

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