Mercado vê Selic a 2% e queda de 6,54% para PIB, aponta Focus


Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
29 de junho de 2020 às 08:54 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 08:58
Pessoa caminha em frente a letreiro do Banco Central
Foto: Bruno Rocha/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Os economistas do mercado financeiro voltaram a aumentar as expectativas de tombo para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A mediana das previsões passou de 6,50% na semana passada para 6,54% nesta semana.

Os dados estão no relatório semanal Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central, que também traz atualizações para a projeção da taxa básica de juros, a Selic. O documento reúne a estimativa de mais de 100 instituições do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos.

Até então, a pior projeção trazida pelo Focus era de uma contração de 6,51%. A piora nas projeções são reflexo das incertezas do mercado financeiro em meio ao avanço dos impactos da pandemia da Covid-19 na economia brasileira e mundial. 

Na semana passada, o BC atualizou sua projeção oficial para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, estimando uma recessão de 6,4% em 2020. 

Já o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), esperam tombos de 8% e 9,1%, respectivamente, para o desempenho da atividade econômica do Brasil.

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O Ministério da Economia, espera que o PIB caia 4,7% este ano. No entanto, a estimativa da pasta levava em conta o fim das medidas de distanciamento social em maio, o que não ocorreu.

As projeções para este ano mostram consenso de que 2020 vai registrar a pior a recessão da atividade econômica doméstica da história brasileira. Até hoje, a maior queda já registrada no PIB foi de 4,35%, em 1990, no  governo do ex-presidente Collor.

Selic e inflação 

Após mais uma redução do Comitê de Política Monetária (Copom) na taxa básica de juros, o mercado reduziu a projeção para a Selic em 2020. Atualmente  a taxa está na mínima histórica de 2,25% ao ano, no entanto, o Copom indicou que ainda pode haver novo corte, mesmo que menor que os 0,75 ponto percentual anteriores.  Assim, os analistas do mercado financeiro projetam uma Selic em 2% ao ano. 

A taxa é o principal instrumento do Banco Central para alcançar a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Com  a crise econômica deste ano, a inflação brasileira deve ficar abaixo do piso da meta.

A previsão para o desempenho do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 1,61% para 1,63%. Para este ano, o centro da meta de inflação é de 4%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, podendo oscilar entre 2,5% a 5,5%.

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