Programas de proteção social precisarão ser fortalecidos, diz Sachsida

"Infelizmente sabe-se que a pobreza, o desemprego e o número de falências vão aumentar", afirmou o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia

Anna Russi do CNN Brasil Business, em Brasília
16 de julho de 2020 às 18:49 | Atualizado 16 de julho de 2020 às 18:51
Adolfo Sachsida, secretário de Política Econômica: "Infelizmente, sabe-se que a pobreza, o desemprego e as falências vão aumentar"
Foto: CNN/Divulgação

O secretário especial de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, disse que uma das urgências do governo para o período pós-pandemia da Covid-19 é o fortalecimento de programas de proteção social.

"Vamos precisar de um fortalecimento dos nossos programas de proteção social. Faremos isso remanejando recursos dentro do orçamento: transferir recursos de programas ineficientes para outros mais eficientes. É possível fazer mais com o mesmo nível de gasto", afirmou durante evento promovido pela Brazil-Florida Business Council.

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"Infelizmente dada a magnitude da pandemia sabe-se que a pobreza, o desemprego e o número de falências vão aumentar", observou. 

Sachsida destacou ainda a necessidade de melhoria nas políticas de empregos e na legislação de falência. "Estamos atentos a isso. É importante permitir rapidamente a realocação de capital no Brasil, saindo de uma empresa que faliu e indo para outra ainda em recuperação", comentou. 

Meses reformistas 

Segundo o secretário, os próximos 18 meses ficarão conhecidos na história brasileira por serem reformistas.

"Essa agenda de reformas é de agora até dezembro de 2021, serão 18 meses de reformas. A agenda vai andar fortemente de maneira pró-mercado", disse. 

Na avaliação dele, o alinhamento entre os poderes Executivo e Legislativo, na pauta econômica, vai facilitar.

"Na pauta econômica existe um tremendo alinhamento entre os dois poderes. Nunca vi uma relação tão boa", ressaltou.

Para ele, a chave para o crescimento do país será o investimento nos marcos legais, como saneamento, gás e cabotagem. "Estamos muito atentos aos marcos legais. A ideia é melhorar os marcos legais para atrair investimento, para o dinheiro internacional poder entrar no Brasil com toda a segurança jurídica necessária", explicou. 

Crédito e meio ambiente

Na visão dele, a redução de crédito direcionado e o aumento do crédito livre são positivos para a economia do país. "A qualidade do investimento está melhorando. Assim (crédito livre) o investimento vai para onde ele é mais eficiente", disse.  

Para o secretário, a melhora dos investimentos faz parte dos indicativos de que a economia vai reagir bem ainda este ano. Ele voltou a dizer que apesar do impacto negativo da longa duração da pandemia, há outros indicadores de que a economia está melhorando.

"São indicadores que atuma dos dois lados. De qualquer maneira, os dados sugerem que projeções de queda do PIB superior a 6,5% provavelmente não acontecerão e terão que ser revisada", reforçou. 

Sachsida também ressaltou o comprometimento do governo Bolsonaro com a preservação ambiental. 
"O crescimento sustentável é parte integrante da agenda econômica desse governo. Temos forte compromisso com a conservação do meio ambiente", garantiu. 

Entre as ações da secretaria de Política Econômica em prol do meio ambiente, ele citou o aumento do limite de custeio em 10% para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR), pelo Plano Safra.

"As taxas de juros do programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) estão em 4% a ano, 1,5 ponto percentual abaixo da taxa geral do Plano Safra", destacou. 

Ele também falou sobre o projeto de incentivo de infraestrutura ambientalmente sustentável, lançado por decreto em junho. "Simplifica e acelera o processo de aprovação de projetos verdes. Todo projeto amigo do meio ambiente no país já pode emitir debêntures incentivada, que é aquela que tem benefício tributário", completou.

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