Reforma tributária anima e bolsa fecha acima dos 102 mil pontos; dólar sobe

Ministro Paulo Guedes prometeu encaminhar a primeira parte da reforma até terça-feira (21) ao Congresso

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
17 de julho de 2020 às 09:12 | Atualizado 17 de julho de 2020 às 17:43
Salão da bolsa paulista, a B3, em dia de negociações (24.mai.2016)
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de encaminhar ao Congresso a primeira parte da reforma tributária na semana que vem animou (e muito) os investidores. A declaração fez o Ibovespa disparar e fechar a semana acima dos 102 mil pontos. O principal índice da bolsa brasileira cresceu 2,3%, aos 102.888,25 pontos.

Já o dólar recuperou a perda de ontem – a maior em duas semanas – e subiu 1,02%, negociado a R$ 5,38.

A moeda brasileira novamente liderou, por ampla margem, as perdas globais, em meio a um debate sobre a tolerância do Banco Central ao nível de volatilidade da taxa de câmbio doméstica, a mais alta entre as principais divisas emergentes.

O principal fator para o bom humor da bolsa brasileira foi a declaração de Paulo Guedes, que prometeu que o governo vai encaminhar ao Congresso na próxima terça-feira a primeira parta da proposta da reforma tributária, que já está na Casa Civil.

A última vez que o Ibovespa fechou acima dos 102 mil pontos foi no dia 5 de março, quando a bolsa caía violentamente.

Um relatório do Itaú BBA também ajudou a animar os investidores. A empresa estima o Ibovespa em 118 mil pontos em 2021, apoiado em cenário de revisão positiva nas expectativas de lucros de alguns setores com peso relevante no índice, bem como juros menores globalmente e continuidade da migração de recursos de poupança e renda fixa para ações.

Destaques 

As ações preferenciais e ordinárias da Eletrobras lideraram os ganhos do último pregão da semana. As preferenciais fecharam o dia com 14,35% de crescimento, a R$ 40,4 e as ordinárias tiveram ganho de 11,84%, a R$ 40,81. 

Declarações do ministro Paulo Guedes sobre privatizações animaram os investidores, que ficaram animados com a possibilidade de desestatização da empresa de energia. 

A Mafrig valorizou-se 8,71%, a R$ 14,61. Outras empresas no setor de alimentos tiveram ganhos. A Minerva avançou 4,18%, a R$ 14,22 e a JBS fechou com elevação de 4%, a R$ 22,29. 

Lá fora

Em Wall Street, o novo recorde no número de casos diários de Covid-19 fez os investidores ficarem cautelosos. Por lá, as bolsas não tiveram grandes variações.

O Dow Jones fechou em queda de 0,23%, a 26.671 pontos. Já o Nasdaq cresceu 0,18%, a 10.645 pontos e o S&P 500 subiu 0,28%, a 3.224 pontos. 

A Netflix recuou depois de que o serviço de streaming previu um crescimento mais lento do que o esperado de assinantes durante o terceiro trimestre, puxando o setor de serviços de comunicação para queda de 0,9%.

Na China, os principais índices fecharam o dia em alta, com investidores animados sobre os dados positivos do PIB. Ainda assim, permanecem as preocupações com o pouco espaço para afrouxamento monetário. O CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,63%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,13%.

As ações da zona do euro tiveram pouca movimentação nesta sexta-feira. Os investidores ainda aguardam o resultado de uma cúpula da União Europeia em que líderes devem definir os detalhes de um fundo de recuperação de € 750 bilhões.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,16%, a 1.453 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,16%, a 373 pontos.

Nesta semana, o STOXX atingiu o nível mais alto desde o começo de junho, devido principalmente a esperanças de que o fundo da UE para sustentar economias afetadas pela pandemia possa tirar o bloco da recessão.

(com Reuters)