Com pior junho desde 2004, arrecadação federal somou R$ 86,2 bilhões

Queda real foi de 29,59% no mês passado. Foi a menor arrecadação para o período desde 2004

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
23 de julho de 2020 às 15:09 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 18:34
Notas de real: arrecadação no mês passado foi a pior para o período desde 2004
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A arrecadação de impostos e contribuições do governo federal registrou queda real de 29,59% em junho, ante o mesmo mês do ano passado. Totalizando um montante de R$ 86,258 bilhões, o resultado é o pior para meses de junho desde 2004. 

Os números foram informados pela Secretaria da Receita Federal nesta quinta-feira (23). No primeiro semestre, a Receita recolheu R$ 665,966 bilhões. O valor é o menor para o período desde 2009 e representa uma queda real de 14,71%, na comparação com o ano anterior. 

Os resultados refletem o impacto das medidas emergenciais de combate aos impactos econômicos da pandemia da Covid-19 no país. "O resultado tanto do mês quanto do período acumulado foi bastante influenciado pelos diversos diferimentos decorrentes da pandemia de coronavírus", explicou a Receita. Em junho, os diferimentos somaram R$ 20,4 bilhões. No total, o montante já é de R$ 81,3 bilhões.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, destacou que a perda de receitas pela arrecadação dever ser recuperada até o fim do ano.

"Os indicadores estão mostrando que a economia está se movendo novamente. A arrecadação de julho já reflete isso. Essa trajetória deve continuar nos próximos meses e a recuperação econômica deve se refletir diretamente na receita tributária", comentou. 

Segundo Malaquias, não fossem os adiamentos no pagamento de impostos, a arrecadação de junho poderia ter alcançado R$ 113,84 bilhões. 

Sozinhas, as compensações tributárias somaram R$ 6,8 bilhões no mês passado. Também foi registrada queda de R$ 2,35 bilhões, como resultado do desconto no Imposto sobre Operações Financeiras que incide sobre operações de crédito (IOF Crédito).

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