Prejuízo provocado por produtos falsificados aumentou 15% em um ano

De acordo com levantamento, crescimento acontece com baixa fiscalização, a crise econômica, o aumento do desemprego e da informalidade e a alta taxa tributária

Bruno Oliveira, da CNN, em São Paulo
24 de julho de 2020 às 23:40
Produtos falsificados
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um estudo divulgado pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta que em um ano, de maio do ano passado para maio deste ano, o prejuízo causado por produtos falsificados e contrabandeados cresceu 15%.

O montante, que representava US$ 40 bilhões (R$ 209 bilhões) para US$ 47 bilhões (R$ 245 bilhões). 

De acordo com o levantamento, os principais motivos para o crescimento são a baixa fiscalização nas fronteiras e portos, a crise econômica (que causa perda de poder aquisitivo da população), o aumento do desemprego e da informalidade e a alta taxa tributária que incide sobre a indústria nacional.

Um dos produtos que causa mais impacto nesse aumento é o cigarro. Do ano passado para este ano, os prejuízos com cigarro passaram de R$ 11,8 bilhões para R$ 15,9 bilhões.

Para Rodolpho Ramazzini, diretor da ABCF, a diminuição dos esforços da indústria no apoio ao combate realizado pelas autoridades e principalmente o aumento expressivo na quantidade de cigarros ilegais que entram do Paraguai explicam esse crescimento.

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“Aproximadamente 85% dos cigarros ilegais encontrados no mercado brasileiro são produzidos em tabacarias paraguaias e entram no Brasil por quadrilhas especializadas”, contou.

Para reverter esse cenário, o diretor da ABCF defende uma série de medidas, como um  engajamento maior do setor produtivo junto às autoridades, vontade política, investimento em equipamentos e agentes extras para as forças de segurança, revisão das alíquotas tributárias que incidem sobre a indústria nacional e a conscientização da população sobre os riscos dos produtos falsificados.