Google, Facebook, Apple e Amazon: CEOs depõem ao Congresso dos EUA; entenda

O objetivo da investigação? Determinar se essas empresas abusaram de seu poder e domínio no mercado online

Brian Fung, do CNN Business
29 de julho de 2020 às 13:00 | Atualizado 29 de julho de 2020 às 13:02

Por mais de um ano, deputados e senadores proeminentes do Congresso dos Estados Unidos têm investigado a Amazon, Apple, Facebook e Google. O objetivo da investigação? Determinar se essas empresas abusaram de seu poder e domínio no mercado online.

Os CEOs dessas empresas devem testemunhar na quarta-feira (29) perante os legisladores na maior audiência do gênero desde o dia em que Bill Gates, da Microsoft, esteve em Washington em 1998. Embora a maioria dos executivos já tenha dado depoimentos ao Congresso em outras ocasiões, eles nunca enfrentaram uma situação como essa.

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Os quatro irão depor lado a lado – e, numa reviravolta provocada pela pandemia, todos estarão virtualmente na sessão, usando a plataforma de conferência WebEx da Cisco. A audiência começa ao meio-dia, horário local (13h no Brasil).

Os políticos devem provocar as empresas com perguntas altamente específicas sobre seus negócios, com base em documentos e outras evidências reunidas ao longo da investigação de 13 meses. Entre outras coisas, a Amazon está sendo analisada minuciosamente pelo uso de dados de terceiros; a Apple, sobre suas políticas na loja de aplicativos; o Facebook, por sua estratégia de aquisição e domínio na publicidade online; e o Google, por suas próprias práticas em pesquisa e publicidade.

As companhias, por sua vez, devem argumentar que ajudaram inúmeros empreendedores e pequenas empresas e fizeram dos EUA um líder em inovação em meio à crescente concorrência com a China.

O evento reunindo tantos poderosos tem todos os ingredientes para ser um espetáculo. Mas as fanfarras vão simplesmente ecoar as apostas desses titãs da tecnologia, que enfrentam várias investigações por legisladores nos níveis federal e estadual, bem como no exterior. Tais investigações podem levar a ações judiciais, multas ou outras consequências para as maiores e mais ricas corporações do mundo.

Os gigantes da tecnologia devem aproveitar os benefícios que proporcionaram às empresas e consumidores americanos e apontar para a ameaça competitiva representada pela China. Uma cópia do depoimento de Zuckerberg obtida pela CNN mostra que o fundador do Facebook argumentará que, diferentemente da China e da visão chinesa para a internet, “focada em ideias muito diferentes”, o Facebook alcançou seu sucesso “da maneira norte-americana: começamos com nada e fornecemos melhores produtos que as pessoas consideram valiosos”.

Cada um dos executivos tem uma experiência diferente com os membros do Congresso. Tim Cook, da Apple, depôs em 2013, antes que a reação contra a tecnologia realmente se estabelecesse, e se saiu em grande parte ileso – discutindo os pontos mais delicados da política tributária global com os legisladores.

O atual CEO da Alphabet, Sundar Pichai, mostrou-se frio sob pressão em uma audiência que abordou as práticas de uso de dados do Google e as acusações de possível viés político, apontadas pelo Comitê Judiciário da Câmara no final de 2018. E Mark Zuckerberg, do Facebook, foi interrogado por dez horas pela Câmara e pelo Senado sobre o histórico de privacidade da empresa.

Dos quatro CEOs, no entanto, a maior atenção do público em geral provavelmente recairá sobre Jeff Bezos, da Amazon. O homem mais rico do mundo nunca depôs no Congresso. De fato, é raro ver Bezos entrevistado em um ambiente não-roteirizado ou hostil, levando muitos a se perguntarem como ele deve se comportar sob interrogatório.

Quanto ao Congresso, a audiência deve gerar um relatório do painel antitruste do Comitê Judiciário da Câmara, seguido de uma possível legislação para controlar o setor de tecnologia ou revisar as leis de concorrência do país.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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