Investidores pedem esclarecimentos sobre questão ambiental, diz Tarcísio

Tarcísio afirma que o governo trabalha para descarbonizar a matriz de transportes no Brasil

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
02 de agosto de 2020 às 21:40 | Atualizado 02 de agosto de 2020 às 21:53

O Brasil vem sendo observado de perto por investidores locais e internacionais quando o assunto é o meio ambiente e o governo está buscando diálogo com eles. Foi isso o que afirmou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em entrevista ao programa da CNN Brasil O Brasil Pós-Pandemia: A Retomada, comandado pelos âncoras William Waack e Rafael Colombo.

Segundo os investidores, investidores pedem esclarecimentos sobre a questão ambiental. “Querem saber o que é verdade e o que é guerra de narrativas”, diz.

Porém, até junho, a plataforma de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), já havia registrado 6.562 km2 de desmatamento na Amazônia em 2020. Apenas em maio, o valor foi de 828,91 km2 – o maior registrado no mês desde 2016.

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“O Brasil é uma potência ambiental, não dá para abrir mão disso. Há um engajamento do governo em melhorar os índices que foram apresentados até agora”, diz. Tarcísio cita o Conselho Nacional da Amazônia, presidido pelo vice-presidente Hamilton Mourão, para mostrar esse compromisso.

Mourão se reuniu com empresários no início de julho e foi cobrado. Os CEOs teriam pleiteado, segundo apurou a CNN, o estabelecimento de uma meta de desmatamento da Amazônia e compararam ao que já é feito com a inflação. O vice-presidente afirmou na altura que vai definir metas semestrais, mas que ainda vai depender de estudos da área técnica. Ele não colocou um prazo para que isso seja feito.

Da sua parte, Tarcísio afirma que o governo trabalha para descarbonizar a matriz de transportes no Brasil, investindo em outras soluções de transporte como cabotagem, que é a navegação entre portos marítimos sem perder a costa de vista, na ampliação malha ferroviária.

“Estamos trabalhando para alcançar o mercado verde, emitir Green Bonds e ter também mais uma possibilidade de financiamento”, diz. “Isso vai ao encontro do interesse dos investidores que têm preocupação com sustentabilidade.”

Marco do saneamento

Questionado sobre o Marco do Saneamento, o ministro comemora a aprovação do projeto e afirma que é “inadmissível que o Brasil tenha 30, 40 milhões de pessoas sem água potável, 100 milhões sem esgoto”, diz. 

Tarcísio defendeu também também os 11 vetos do governo na matéria, inclusive o trecho que autorizava que as estatais renovassem por mais 30 anos os contratos de programa (sem licitação) atuais e vencidos, desde que isso ocorresse até março de 2022. 

“O veto é técnico. Existe um estremecimento político, mas se a gente permitir que contratos de concessão sejam prorrogados por 30 anos com as empresas estatais, isso vai postergar o investimento da iniciativa privada em saneamento”, diz.   

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), chegou a sinalizar durante sessão deliberativa no dia 15 de julho que tem apoio para derrubar os vetos presidenciais ao marco do saneamento básico.

"Infelizmente se pela parte do governo não houve eficácia no entendimento, esse lapso do Executivo que não é certo, a gente tem como corrigir na sessão do Congresso e dar a resposta do que foi construído no Congresso Nacional". Alcolumbre não detalhou qual parte dos vetos foge do que foi combinado com os parlamentares.

(edição: André Jankavski)

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