Cheftime: foodtech do GPA cresce 856% na crise com cardápio de 2 mil receitas

Startup de refeições prontas e ingredientes da empreendedora Daniella Mello aproveita aumento da demanda e amplia canais de distribuição

Marcelo Sakate, do CNN Brasil Business, em São Paulo
05 de agosto de 2020 às 07:00 | Atualizado 06 de agosto de 2020 às 00:52
Daniella Mello, fundadora e CEO do Cheftime, foodtech do GPA
Daniella Mello, fundadora e CEO do Cheftime, foodtech do GPA: pandemia acelerou crescimento da empresa
Foto: Divulgação

Quando a empresária e chef Daniella Mello criou o Cheftime, cinco anos atrás, pensou na startup como uma maneira de reconectar as pessoas com o prazer de cozinhar. Foi um processo que ela acompanhou crescer ao longo dos últimos anos, à medida que o interesse pela cozinha voltou a crescer entre a população. 

É um fenômeno que se reflete no crescente número de realities shows de gastronomia e na popularidade de influenciadores e de canais e perfis dedicados em redes sociais. 

Mas não poderia ter havido um empurrão maior do que a pandemia do novo coronavírus, que obrigou as pessoas a ficar em casa para reduzir o risco de contaminação: a foodtech encerrou o segundo trimestre com um crescimento de 856% na comparação com o mesmo período de 2019.

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No ano passado, o Cheftime já havia vendido mais de 200 mil refeições, que são acondicionadas em embalagens térmicas do tamanho de pequenas caixas.  

“A gente já estava posicionado para esse momento de aumento da demanda. A pandemia acabou acelerando uma mudança de comportamento que já estava acontecendo”, afirmou Daniella ao CNN Brasil Business

Quando ela diz que o Cheftime já estava posicionado, não é exagero. A startup adquirida pelo GPA em novembro passado por valor não divulgado, depois de um ano de parceria, dispõe de um cardápio com mais de 2 mil receitas. 

Tamanha variedade inclui de refeições prontas a outras em que os kits trazem os ingredientes para quem quiser preparar a refeição. Tem de pratos assinados por chefs a clássicos do junk food, passando por refeições saudáveis; lanches para crianças, drinks, pratos temáticos de países e por aí vai. 

“Aprendemos com o tempo e com a experiência que adquirimos que as pessoas querem flexibilidade. A mesma pessoa que quer algo prático no almoço da semana pode escolher algo mais demorado para preparar e cozinhar no fim de semana”, conta Daniella, que segue como CEO do Cheftime.  

A flexibilidade se reflete nos planos de assinatura semanal, que permitem que os clientes escolham não só a periodicidade de entrega como os pratos. Há também a venda de kits avulsos, com preços a partir da faixa de R$ 20. 

Hypergrowth

A aquisição pelo GPA acelerou a integração com os canais do grupo varejista. Lojas repaginadas ganharam espaço para o consumo das refeições do Cheftime, em linha com um modelo que é mais comum em supermercados nos Estados Unidos e na Europa.  

O crescimento na pandemia também se deu a partir de uma nova frente de negócios: a entrega de refeições prontas que são distribuídas pelo James Delivery, o aplicativo de entregas do GPA. Os pratos são preparados em cozinhas dedicadas para esse fim nas lojas do Pão de Açúcar, em um modelo conhecido como dark kitchens. 

Inicialmente lançado em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Restaurante Cheftime tem sido um sucesso. As vendas crescem a um ritmo semanal de 19%, o que significa dizer que o negócio dobra de tamanho a cada quatro semanas.  É um ritmo conhecido como hypergrowth (hipercrescimento) no mundo das startups.

Tamanho crescimento é apenas um aperitivo do que vem pela frente, diz Daniella. “As pessoas tendem a voltar a ficar mais em casa. E junto vem a preocupação com a alimentação e a redescoberta do prazer em cozinhar”, afirma. 

Segundo ela, a diferença é que os canais digitais serão cada vez mais relevantes para o pedido das refeições prontas ou semiprontas ou dos ingredientes. “Vamos oferecer o que funciona melhor para os hábitos e as necessidades do consumidor.” 

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