Com taxas em queda, número de investidores na Bolsa pode ser maior, diz analista

Professor de finanças do Insper fala sobre riscos e cuidados para quem quer investir em ações

Da CNN
17 de agosto de 2020 às 13:57

Durante a pandemia de Covid-19, a Bolsa de Valores ganhou cerca de 900 mil novas contas. Agora, já são quase 3 milhões de pessoas investindo em renda variável. 

Em entrevista à CNN, na manhã desta segunda-feira (17), Ricardo Humberto Rocha, professor de finanças do Insper, disse que a queda da taxa de juros motivou a 'migração' de antigos investidores da renda fixa, até então tradicional alternativa do brasileiro.

"Desde o governo [Michel] Temer, com a queda das taxas de juros, que foi acentuada no governo [Jair] Bolsonaro, as pessoas começaram a perceber que aquele 1% ao mês que elas ganhavam com ativo sem riscos estava desaparecendo", contou.

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Ricardo Humberto Rocha, professor de finanças do Insper
Foto: Reprodução/CNN

"Ao mesmo tempo, o governo conseguiu passar a reforma da previdência. Portanto, o governo foi criando condições para que as pessoas assumissem mais riscos. A busca pelo risco é porque a rentabilidade da renda fixa caiu e, é possível, que até 2022 as taxas vão continuar baixas e podemos dobrar o número de investidores, podemos chegar a 6 a 7 milhões de pessoas", pontua. 

Na visão do especialista, este 'desenho' no cenário dos investimentos representa uma quebra de paradigma e uma mudança de patamar. "Existe todo um processo de educação do investidor e de responsabilidade. Porque as pessoas terão que se acostumar que elas poderão ganhar muito, mas perder vai fazer parte do jogo", disse.

O professor também falou sobre riscos e cuidados para quem quer investir na Bolsa. Além disso, Rocha também alertou para os riscos das operações.

"Você não pode acreditar em 'dica' de ninguém. Para os investidores que já possuem uma reserva de emergência, mesmo que esteja rendendo pouco, para quem superou isso, tem que ir para as transações de risco. Tudo vai depender do seu apetite. Recomendamos fazer um questionário de perfil e com o tempo ir adicionando risco ao seu perfil", orientou.

"Nós estamos em uma fase muito interessante. O investidor vai ter que estudar e se orientar para começar a conviver com esta nova realidade. Para formar poupança e previdência, o brasileiro vai ter que ir para a Bolsa. Sempre com consciência e moderação", finaliza.

(Edição: André Rigue)