Ações de tecnologia devem continuar a subir nos EUA em meio à pandemia

Os estrategistas dizem que a rápida mudança do 'bear market' para o 'bull market' não foi apenas justificada, mas pode ir ainda mais longe

Saikat Chatterjee e Thyagaraju Adinarayan, Reuters
18 de agosto de 2020 às 16:03

Facebook, Google, Amazon e Apple

Foto: Reuters

Investidores têm se perguntado se compram ações em meio a um rali global e, apesar dos preços inflados, do cenário político e da pandemia, a resposta de muitos é um retumbante sim.

Isso não ocorre apenas porque um estímulo sem precedentes - US$ 20 trilhões por ora - está forçando uma mudança estrutural na forma como os ativos financeiros são avaliados. Mas também se deve a anos de mudanças sociais, inovações e, agora, a pandemia, que pode transformar para sempre a maneira como as pessoas trabalham, estudam e fazem compras - concedendo um domínio para as empresas de tecnologia.

Portanto, embora novos surtos de coronavírus e a iminência das eleições dos EUA tenham deixado alguns cautelosos, muitos continuam comprando, tendo já elevado globalmente o valor das ações em US$ 24 trilhões desde o final de março.

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Com as ações perto de níveis recordes, os estrategistas dizem que a rápida mudança do 'bear market' para o 'bull market' não foi apenas justificada, mas pode ir ainda mais longe.

"A pandemia de Covid pegou as tendências existentes - maior dependência de tecnologia, compras online, trabalho remoto, etc - e as acelerou", disse Benjamin Jones, estrategista sênior de multiativos da State Street Global Markets.

Com as ações de tecnologia mantendo altas impressionantes, os investidores dizem que a próxima etapa da alta provavelmente virá de ações de valor - assim chamadas porque são negociadas a avaliações mais baratas do que rivais voltadas para crescimento.

As avaliações estão oscilando em torno de 22 vezes o lucro futuro do índice S&P 500, maior nível desde a bolha da internet no início dos anos 2000. O índice também mudou dramaticamente com a tecnologia, de longe o setor de maior peso.

Representando cerca de um terço do índice, as empresas de tecnologia são as grandes beneficiadas da pandemia, com destaque para o bloco conhecido como Fangman - grupo que inclui Facebook, Apple, Netflix, Google, Microsoft, Amazon e Nvidia.

Seus múltiplos de 80-100 vezes os lucros futuros impulsionaram o mercado.

Até décadas atrás, ações de bancos, petróleo e gás, e industriais constituíam a maior parte do S&P 500. Esses setores normalmente são negociados a múltiplos mais baixos, dada a volatilidade dos preços das commodities e as altas necessidades de capex - uma das principais razões por trás do desempenho inferior do índice de referência FTSE do Reino Unido.

As avaliações fazem ainda mais sentido por causa do ambiente de taxas de juros mais baixas, disse Maximilian Kunkel, chefe de investimentos da Global Family Offices do UBS.

"Como resultado, continuamos construtivos em relação aos ativos de risco, mesmo após o rali."

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