Investidor teme guinada populista e busca proteção no dólar

O dólar fechou a segunda-feira em alta de 1,26%, a R$ 5,49. Na máxima do dia, chegou a ser negociado a R$ 5,51

Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
18 de agosto de 2020 às 07:10
Capa do podcast Abertura de Mercado
Foto: CNN Brasil

A pressão por aumento de gastos parece ganhar adeptos no governo e, com isso, a agenda reformista e de ajuste das contas públicas defendida por Guedes parece ficar em segundo plano. No mercado financeiro, o efeito disso tudo foi a queda da bolsa que voltou a fechar abaixo dos 100 mil pontos pela primeira vez desde 13 de julho.

No episódio de hoje:

- O temor de uma mudança na política econômica do governo Jair Bolsonaro gera uma nova onda de pessimismo e aversão ao risco no mercado financeiro;
- A pressão por aumento de gastos parece ganhar adeptos no governo e, com isso, a agenda reformista e de ajuste das contas públicas defendida por Guedes parece ficar em segundo plano;
- Investidores temem que o presidente passe a adotar medidas consideradas populistas de olho na reeleição em 2022;
- Entre essas medidas, estaria a prorrogação do auxílio emergencial pago aos brasileiros mais pobres e o aumento do investimento público em obras de infraestrutura;
- Em tempos normais, essas ações podem ser consideradas positivas do ponto de vista econômico porque ajudam no crescimento;
- O problema é que, agora, em meio à pandemia, o governo não tem dinheiro para aumentar os gastos e Guedes tem batido exatamente nessa tecla; 
- Aproveitando o momento de popularidade, Bolsonaro viajou diversas vezes pelo Brasil para inaugurar obras, principalmente no nordeste;
- Esse tour tem sido acompanhado de perto pelo ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, considerado um dos principais incentivadores da agenda mais gastadora do governo;
- Fundador e estrategista-chefe da casa de análise Empiricus, Felipe Miranda, disse que “o abandono da postura liberal e fiscalista vai nos conduzir ao que foi rigorosamente a nova matriz econômica no começo dos anos de 2010”;
- A chamada "nova matriz econômica" foi o nome dado às decisões macroeconômicas do governo Dilma que tinham como foco o gasto público para gerar crescimento;
- Miranda lembra que a adoção dessa política teve abre aspas consequências muito bem sabidas: “mais inflação e câmbio explodindo”;
- No mercado financeiro, o efeito disso tudo foi a queda da bolsa que voltou a fechar abaixo dos 100 mil pontos pela primeira vez desde 13 de julho;
- O Ibovespa caiu 1,73% e terminou o dia aos 99.595 pontos. Já o dólar fechou a segunda-feira em alta de 1,26%, a R$ 5,49. Na máxima do dia, chegou a ser negociado a R$ 5,51;
- Após dia de estresse no mercado financeiro, Bolsonaro afirmou em entrevista exclusiva à CNN que a saída do ministro Paulo Guedes "nunca foi cogitada";
- “Entramos juntos no governo e vamos sair juntos”, disse ao mencionar que há "possibilidade zero de furar o teto de gastos"; 
- Em seguida, o ministro concedeu entrevista na portaria do ministério da Economia para dizer que o governo “não vai fazer nada errado” na gestão das contas públicas;
- Ao ser questionado se está firme no cargo, disse que existe muita confiança do presidente nele e existe muita confiança dele no presidente;
- As vendas do Magazine Luiza saltaram 49% no segundo trimestre na comparação com 2019;- Isso aconteceu porque as vendas pelo comércio eletrônico compensaram com folga a queda nas vendas das lojas físicas que permaneceram fechadas por causa da pandemia;
- Ao todo, as vendas somaram R$ 8,6 bilhões entre abril e junho;
- Só no comércio eletrônico, as vendas aumentaram 182% e, no trimestre, 78% de tudo o que a empresa vendeu foi online;
- Com esse resultado, a empresa acabou superando a arquirrival Via Varejo que vendeu R$ 7,2 bilhões no mesmo período;
- Mas, apesar desses números classificados como épicos pelo presidente Frederico Trajano, a empresa terminou o trimestre com prejuízo de R$ 62 milhões;
- A rede de supermercados Mateus, do Maranhão, protocolou pedido de oferta inicial de ações, o conhecido IPO na sigla em inglês;
- Trata-se do oitavo maior supermercado do Brasil, conforme ranking do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo, o Ibevar;
- Em 2019, a empresa vendeu mais de R$ 6 bilhões e está um R$ 1 bi atrás do Dia Brasil, que é o quinto do ranking;
- A rede tem mais de 30 anos e possui 137 lojas em 54 cidades do Maranhão, Pará e Piauí; O mercado financeiro estima que a empresa possa levantar cerca de R$ 4 bi com o IPO;
- Outra companhia que entrou na fila do IPO foi a EZ Inc, subsidiária da construtora paulista EZTec;
- A empresa é voltada exclusivamente para o segmento de móveis comerciais e tem um banco de terrenos com potencial de vendas R$ 2,8 bi;
- Os recursos levantados pela construtora serão destinados à compra de novos terrenos para imóveis comerciais em São Paulo, novos projetos e reforço de capital.

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