Mesmo com pandemia, setor de brinquedos estima crescimento de 3% no ano


Anne Barbosa e Paula Forster Da CNN, em São Paulo
19 de agosto de 2020 às 13:51

Com o isolamento social e mais pessoas em casa, os jogos de tabuleiros e quebra-cabeças ganharam força durante a pandemia. A expectativa para os fabricantes de brinquedos em 2020 é manter um ritmo de crescimento de pelo menos 3% em relação ao ano passado, quando a alta foi de 6%. A estimativa é da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).

Na contramão da crise enfrentada por muitos setores, segundo o presidente da associação, Synesio Batista da Costa, houve um verdadeiro ‘boom’ nas vendas. “A criança está em casa, estressada e o pai acaba comprando para ela e comprando para ele também. A gente não contava com isso”, comenta.

A aposentada Silvia Helena sentiu bem esse efeito. Com dois sobrinhos pequenos, as brincadeiras precisaram ser renovadas. “Estando em casa, nós precisamos entreter mais as crianças, porque é muito difícil manter uma criança de seis e outra de quatro. Eu comprei jogo da memória para um e quebra cabeça para outro”, disse.

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De máscara, consumidores escolhem brinquedos em loja em São Paulo

De máscara, consumidores escolhem brinquedos em loja em São Paulo

Foto: CNN (19.ago.2020)

As lojas que apostaram na adaptação do mercado online avançaram casas a mais neste jogo. Só na rede Ri Happy, as vendas de quebra-cabeças e jogos de tabuleiro foram três vezes maiores durante a pandemia.

Para Laura Mota, gerente de uma das lojas, brincar foi uma das formas encontradas pelas pessoas pra aliviar a tensão dentro de casa. “O brinquedo tira um pouco dessa realidade, leva para outro mundo. O mundo do brincar, do distrair. Acredito que foi isso que fez as vendas de brinquedo alavancarem”, afirma.

Já em indústrias como a Estrela, por exemplo, que é líder do marketing share de jogos de tabuleiro, as encomendas de alguns jogos já são maiores do que todo o volume de vendas do ano passado.

“Banco imobiliário, jogo da vida, detetive, cara a cara, cai não cai, jogos que todo e qualquer brasileiro brincou em alguma fase da vida, retornaram com uma força extraordinária. Tivemos um crescimento principalmente no mercado digital com mais 400% nesse período, o que mostra que o jogo voltou com tudo no seio da família”, comenta Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela.

O cenário se mantém otimista, isso porque 65% das vendas de brinquedos estão concentradas no segundo semestre do ano, com a comemoração do Dia das Crianças e do Natal. E, outro fator que favoreceu o setor foi a disparada do dólar, já houve uma redução drástica na importação de brinquedos.

Segundo Aires Fernandes, houve uma redução da importação de 37,7% de janeiro a julho. “Isso mostra que a indústria nacional deve abocanhar uma fatia maior, avançando na entrada de produtos importados”, disse.

(Edição: André Rigue)