Retomada do fundo do poço é rápida, mas depois desacelera, diz Celso Pastore

Ex-presidente do Banco Central disse que o ideal é que a atual administração continue no caminho planejado até aqui e que siga a lei do teto de gastos

Da CNN, em São Paulo
20 de agosto de 2020 às 23:53

Com novos dados da PNAD indicando que o desemprego no Brasil aumentou 20,9% entre maio e julho, o economista e ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore alerta que a retomada da economia será rápida, mas tende a desacelerar no próximo ano.

“Velocidade de recuperação do fundo do poço é rápida, mas depois tende a se desacelerar. A recuperação para o ano que vem será lenta, infelizmente”, disse.

Questionado sobre qual poderia ser a resposta do governo frente ao desafio econômico de se recuperar do tombo de 2020, Pastore disse que o ideal é que a atual administração continue no caminho planejado até aqui.

Leia também

Câmara mantém veto de Bolsonaro que congelou salários de servidores

Trabalho temporário pode ter quase 2 milhões de novas vagas em 2020

Tributação de bens e serviços é relevante para crescimento econômico, diz Appy

Economista e ex-presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, durante entrevista para a CNN (20.ago.2020)
Foto: CNN Brasil

“O governo deve continuar com a agenda de reformas, cumprir o teto de gastos na forma como está e deixar que a política monetária gere os estímulos para a economia, com mais crédito e baixa taxa de juros,” disse o ex-presidente do BC.

“Não se pode querer fazer expansão fiscal, porque isso sobe a taxa de juros, deprecia câmbio e cria riscos que colidem com a recuperação econômica.”

Pastore também falou do plano de criação de um novo benefício social, e disse que o governo pode optar por dois caminhos. “Precisa saber se o governo quer mais popularidade ou o bem estar do país. Se optar pela segunda hipótese, ele tem plenas condições de fazer sem precisar sair do teto de gastos.”

(Edição do texto: Paulo Toledo Piza).