Agência de classificação de riscos vê cenário difícil para reformas no Brasil

Lívia Honsel espera que a dívida pública aumente por conta da situação econômica, mas que, nos próximos anos, o aumento seja "um pouco mais lento"

Da CNN, em São Paulo
21 de agosto de 2020 às 22:26 | Atualizado 21 de agosto de 2020 às 22:26

Com a dívida brasileira ultrapassando o patamar de 80% do Produto Interno Bruno (PIB) do país, a analista da agência de classificação de risco S&P para o Brasil Lívia Honsel disse acreditar que a dívida aumente por conta da situação de recessão econômica e da pandemia do novo coronavírus. 

Em entrevista à CNN, Honsel explicou que, em curto prazo, a questão sobre o refinanciamento da dívida não parece ser um risco – "uma vez que o Brasil depende mais de financiamento no mercado local e menos no externo".

Com relação aos principais riscos do momento atual, a analista enxerga um cenário mais difícil para a aprovação de reformas estruturais “por causa do contexto político complicado”. 

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Honsel também comentou sobre a possibilidade de o governo federal não cumprir seu compromisso com o teto de gastos. 

"A criação do teto em 2016 foi positiva, pois melhorou a previsibilidade sobre a trajetória fiscal e de dívida dos anos seguintes. Agora, nós como agência de rating – de classificação de risco – qualificamos resultados mais do que regras fiscais", afirmou.

“Entendemos que, em algumas circunstâncias extraordinárias, exista uma pressão política e social para que o governo estimule a economia. No entanto, é muito importante também a mensagem enviada sobre o compromisso da sustentabilidade fiscal no meio prazo e a credibilidade das políticas”, concluiu.

(Edição: Sinara Peixoto)