Teremos uma retomada mais rápida que a dos concorrentes, diz presidente da Azul

Com queda de mais de 90% nas receitas, a empresa contratou consultores especializados em empresas em dificuldades e renegociou dívida, economizando R$ 7 bi

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
23 de agosto de 2020 às 23:50

O presidente da Azul, John Rodgerson, afirmou em entrevista exclusiva ao CNN Líderes que vai conseguir se recuperar da crise do coronavírus mais velozmente que os concorrentes.

"Nossa retomada será mais rápida que a dos concorrentes pois renegociamos tudo com nossos fornecedores. Seremos mais eficientes daqui para frente", disse Rodgerson.

Com queda de mais de 90% nas receitas, a empresa contratou consultores especializados em empresas em dificuldades e renegociou dívida com bancos e fornecedores, economizando R$ 7 bilhões.

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Rodgerson disse que o atraso nas negociações com o BNDES e com os bancos para liberar um empréstimo de R$ 2 bilhões acabou ajudando a renegociação de débitos, pois os fornecedores poderiam se recusar a dar desconto se o dinheiro tivesse saído.

"Foi meio combinado o que aconteceu com o BNDES para primeiramente falarmos com os nossos fornecedores e, agora sim, conseguir esse empréstimo de R$ 2 bilhões em setembro. É um empréstimo caro. Não ter molezinha", disse o executivo.

Rodgerson faz uma referência a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, que, em reunião ministerial, disse que não ia ter "molezinha" para as empresas aéreas.

O presidente da Azul acredita que a operação com o banco estatal vai ser concluída em setembro. Para a agência de classificação de risco Fitch, o financiamento é essencial para evitar uma nova rodada de discussões com credores até o fim de 2021.

Rodgerson não acredita que o "code-share" com a concorrente Latam pode evoluir para uma fusão - pelo menos, não neste momento. "Eles são fracos em Campinas, Brasília e Recife. Nós somos fortes nesses aeroportos e fracos em Guarulhos. Estamos nos ajudando".

Passageiros com máscaras de proteção caminham em frente a guichês da Azul no aeroporto de Congonhas, em São Paulo (11.mar.2020)
Foto: Rahel Patrasso/Reuters