'Governo não tinha mais papel', diz Bolsonaro sobre criação de nota de R$ 200

A quantidade de dinheiro vivo em circulação subiu de aproximadamente R$ 260 bilhões no fim de março para R$ 350 bilhões em meados de agosto, segundo o governo

Gabriel Passeri*, da CNN, em São Paulo
25 de agosto de 2020 às 23:14
Notas de dinheiro
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (25) que a criação da cédula de R$ 200 ocorreu “porque não temos mais papel”. A fala ocorreu durante abertura do 32° Congresso da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Segundo Bolsonaro, todo o papel moeda foi colocado no mercado. “Por isso que criou-se a nota de R$ 200 que alguns ficam falando aí coisas né, não tem nada a ver. Os R$ 200 é porque não temos mais papel. Mas papel demais no mercado leva à inflação. Isso aí é o pior mal que pode existir. E nós estamos investindo na criação de empregos que é o melhor projeto social que pode existir ", disse o presidente.

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Diante de toda repercussão após o anúncio da nota de R$ 200, o Banco Central decidiu explicar as razões que justificam a necessidade de sua criação. "Desde o início da pandemia da Covid-19, é possível observar um aumento do uso de dinheiro em espécie. Em momentos de incerteza como é o caso de uma pandemia, dinheiro simboliza segurança. Pessoas e empresas fizeram saques para constituir reserva", afirmou o BC no seu site.

A quantidade de dinheiro vivo em circulação subiu de aproximadamente R$ 260 bilhões no fim de março para R$ 350 bilhões em meados de agosto, segundo o governo. Trata-se de um aumento de 35% em pouco menos de cinco meses.

"Como não é possível mensurar por quanto tempo os efeitos da pandemia vão persistir e considerando que o dinheiro em espécie ainda é a base das transações em nosso país, o BC entende que o momento é oportuno para lançamento de projeto de cédula pré-existente", completou o banco.

Além disso, o BC explicou que parte desse volume de R$ 350 milhões não está à disposição das pessoas, na medida em que uma crise tão imprevisível como a atual estimulou o fenômeno conhecido como "entesouramento": as pessoas passam a guardar dinheiro em espécie em casa.

Será a sétima nota da segunda família do real, lançada em 2010: atualmente existem as cédulas de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100.

(Estagiário, sob supervisão de Evelyne Lorenzetti).