Relator defende aprovação conjunta do Renda Brasil e de medidas de ajuste fiscal

Márcio Bittar afirma que 'você vai dar uma alegria, uma euforia por alguns meses para o país, e depois virá um pesadelo de anos' se novo gasto vier sem ajuste

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
25 de agosto de 2020 às 22:28 | Atualizado 25 de agosto de 2020 às 22:32

Um dos articuladores do governo Jair Bolsonaro (sem partido), o senador Márcio Bittar (MDB-AC) defende a votação conjunta do Renda Brasil no Congresso Nacional, com medidas que contenham a expansão de gastos públicos.

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Bittar é o relator da PEC do Pacto Federativo, que aumenta repasses de royalties do petróleo para estados e municípios em troca de instrumentos de controle das despesas com pessoal.

Ele defende a inclusão do Renda Brasil nesse projeto e da votação em conjunto com a chamada PEC Emergencial, relatada pelo senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) e que cria gatilhos para impedir o crescimento de despesas obrigatórias.

"Se nós só aprovarmos isso [o Renda Brasil], mas não aprovarmos as PECs que apontam para a austeridade fiscal, aumentar o controle das contas públicas, aí é um perigo. Você vai dar uma alegria, uma euforia por alguns meses para o país e, depois, virá um pesadelo de anos", argumentou o parlamentar, entrevistado pelo âncora da CNN William Waack.

Para Bittar, o Renda Brasil em si "é uma coisa fácil de ser aprovada no Congresso Nacional".

"Há um claro entendimento: o Brasil descobriu mais de 10 milhões de invisíveis, e nós sabemos que a partir de janeiro isso não vai acabar, são brasileiros que vão continuar precisando da ajuda do estado", afirmou o senador. 

O governo ainda não divulgou os detalhes do Renda Brasil, programa de assistência social que pretende substituir o Bolsa Família e abarcar beneficiários do auxílio emergencial. O valor do benefício, segundo o presidente Jair Bolsonaro, deve ficar em um "meio termo" entre R$ 200 e os atuais R$ 600.

Guedes

Nesta terça-feira, em acordo com o governo, o Senado aprovou um convite para o ministro Paulo Guedes explicar sua declaração de que os senadores cometeram "um crime" contra o país quando votaram para derrubar o veto presidencial que impedia reajustes salariais para servidores.

Marcio Bittar defendeu Guedes e disse que concorda que discutir aumentos para servidores neste momento seja "crime", diante do desemprego crescente no setor privado. Na avaliação do parlamentar, "o Senado está em débito e precisa recuperar isso".