Sebrae: mulheres vendem mais online e usam menos ferramenta digital na pandemia


Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
26 de agosto de 2020 às 18:46 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 20:44

A crise econômica provocada pela pandemia atingiu praticamente todos os setores do país. Porém, entre homens e mulheres empreendedores, as diferenças escancaram desigualdades e, ainda bem, competências entre as empresárias e empresários. Uma pesquisa do Sebrae, feita em parceria com a FGV, obtida com exclusividade pela CNN, revela como elas se saíram na gestão de seus negócios desde que a crise sanitária começou em março. 

Na hora de fazer vendas online e marketing digital as empreendedoras saíram na frente,  já que 69% delas já vendiam ou passaram usar estes canais depois da pandemia. Entre os homens, o comércio online foi adotado por 63% deles neste período. 

Mesmo tendo conhecimento de uso das redes sociais e do ecommerce, as mulheres não se beneficiam das ferramentas digitais para gestão do negócio, como  a automação dos processos, por exemplo.  Segundo a pesquisa, 68% dos homens já utilizam esse tipo de ferramenta, entre elas o percentual é de 32%. 

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“Eu vejo que há uma questão cultural aí. Muitas mulheres empreendedoras dizem que preferem deixar a parte da gestão para o marido, ou para o contador. Mesmo estando muito familiarizadas com as mídias digitais e indo bem nas vendas online, elas não buscam ferramentas digitais para gerir seus negócios”, disse Renata Malheiros, coordenadora do projeto de empreendedorismo feminino do Sebrae. 

Outro dado que chama atenção é da perda de tempo dedicado ao negócio. As empreendedoras perdem 17% a mais que os homens das horas semanais que seriam voltadas à gestão. Há mais evidências no mesmo sentido. Segundo o levantamento do Sebrae, 35% das mulheres trabalham de casa, enquanto entre os homens a parcela é de 27%. E a explicação é a mesma, qual seja, a demanda dos cuidados com a casa e/ou com a família.

“No Brasil, muitas mulheres são levadas ao empreendedorismo depois da maternidade, criando negócios que são feitos em casa, como marmitas, doces ou costura. Pode parecer uma boa solução porque facilita a vida delas. Mas por outro lado, quando o trabalho é em casa e ele se mistura com as demandas domésticas que recaem sobre a mulher, não dá para gerenciar bem a vida profissional”, ressalva Renata Malheiros. 

Sobre a expectativa para o fim da pandemia e a retomada da economia, as mulheres estão mais pessimistas. O levantamento revelou que as empresárias receiam a volta dos clientes mais do que os homens. Enquanto 73% acreditam que menos da metade dos consumidores voltará a frequentar os estabelecimentos nos próximos 30 dias, entre os homens a parcela cai para 68%. 

Mulheres empreendedoras 

Nos últimos anos a participação das mulheres no empreendedorismo vem crescendo, mas ainda sob muitas barreiras e desafios. Pesquisas anteriores do Sebrae mostram que entre 2017 e 2018, a proporção de mulheres Donas de Negócio que são “chefes de domicílio” passou de 38% para 45%. 

No ano passado, com base em dados do IBGE, as 9,3 milhões de mulheres que estavam à frente de um negócio, seja como Empregadora ou Conta Própria, somavam 34% de todos os donos de negócios formais ou informais, no Brasil. As análises mostram ainda que elas são mais jovens e tem escolaridade 16% maior que a dos homens. 

Ainda assim, elas continuam ganhando 22% a menos que eles. Neste 26 de agosto, é comemorado o Dia Internacional da Igualdade Feminina. Uma data marcada para jogar luz sobre as desigualdades, mas também sobre as conquistas alcançadas até agora.