Reforma acaba com acúmulo de salário e cria 5 tipos de contratação de servidores


Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
03 de setembro de 2020 às 07:42 | Atualizado 03 de setembro de 2020 às 08:32
O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião

O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante reunião com o Ministro-Chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos e Parlamentares

Foto: Marcos Corrêa/PR (01.set.2020)

A reforma administrativa que será encaminhada ao Congresso nesta quinta-feira (3) incluirá a proibição de promoções ou progressões de salários por tempo de serviço e acabará com a possibilidade de servidores somarem verbas de cargos de comissão à remuneração.

O texto irá prever o fim do chamado "regime jurídico único" dos servidores e estabelecerá cinco tipos de contratação no serviço público: vínculo de experiência, vínculo por prazo determinado, vínculo por prazo indeterminado, cargo típico de Estado e cargo de liderança e assessoramento.

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Os cargos "típicos de Estado" não serão definidos neste momento. O governo pretende delimitar as carreiras que farão parte do grupo em lei complementar num segundo momento. A ideia da equipe econômica é que a lista contenha um número restrito de carreiras, como as de diplomata e auditores.

A definição dos cargos típicos de Estado é importante, porque esses servidores terão mais benefícios no seu regime de contratação. A proposta de reforma inclui, por exemplo, a possibilidade de redução de salários dos servidores em geral desde que haja também corte na jornada de trabalho. No caso dos funcionários que ocupam cargos típicos de Estado, a situação será diferente: os salários terão de ser mantidos mesmo se a jornada for reduzida.

Os novos servidores das carreiras típicas de Estado terão de comprovar experiência anterior de dois anos antes de entrarem para o serviço público e terão de passar pelo estágio probatório de um ano.

O governo também irá propor o fim da possibilidade de aposentadoria compulsória como forma de punir servidores e todos os empregados públicos terão de ser dispensados ao alcançar 75 anos - a regra já existe, mas não alcança todos os contratados pelo governo federal.

A reforma administrativa restringirá ainda o pagamento dos "penduricalhos", verbas indenizatórias que são incorporadas aos salários dos servidores.

Pelo texto que será encaminhado ao Congresso, o presidente da República terá mais autonomia para reorganizar a administração pública, alterando cargos e funções. Ele não poderá, no entanto, fazer mudanças que impliquem em aumento de despesas.