Às vésperas de eleição nos EUA, Itamaraty traz novos termos a acordo do etanol

O movimento é visto como um gesto de boa vontade com o presidente Donald Trump

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
08 de setembro de 2020 às 21:35

O Itamaraty vai oferecer novos termos aos Estados Unidos para fechar um acordo sobre a importação de etanol. O movimento é visto como um gesto de boa vontade com o presidente Donald Trump, que concorre à reeleição marcada para 3 de novembro.

Segundo apurou a CNN, o Brasil se comprometerá a importar 181,5 milhões de litros de etanol pelos próximos três meses com tarifa zero. Em contrapartida, os americanos ofereceriam vantagens ao Brasil, principalmente nas compras de açúcar, depois que o pleito passar. 

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A avaliação da diplomacia brasileira é que os EUA não conseguiriam fazer qualquer concessão agora. O acordo entre Brasil e Estados Unidos para importação de etanol expirou no começo do mês e os americanos vinham fazendo pressão para renovar.

A proposta brasileira será apresentada em breve por vídeoconferência pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao representante comercial americano, Robert Lighthizer. Se for aceita, a cota pode entrar em vigor rapidamente.  

Nesta terça-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro apresentou a oferta brasileira aos usineiros em reunião no Palácio do Planalto. Além de Araújo, participaram do encontro os ministros Bento Albuquerque (Energia) e Tereza Cristina (Agricultura).

Conforme fontes presentes, Araújo disse aos empresários para não se preocuparem porque conseguiria um “ótimo acordo” com os Estados Unidos após as eleições por causa da boa relação entre os dois países.

Ao perceberem que o acordo é inevitável, em função da política externa brasileira de alinhamento aos EUA, os empresários pediram ao governo que estudasse compensações internas ao setor, como vantagens tributárias.

Usina de etanol
Foto: Paulo Whitaker/Reuters