'Não estamos tabelando o arroz', diz Secretaria após notificar supermercados

Secretária nacional do consumidor da pasta afirmou que estão sendo avaliados motivos dos reajustes de preços da cesta básica

Da CNN, em São Paulo
09 de setembro de 2020 às 22:49

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, notificou supermercados nesta quarta-feira (9), para que justifiquem o aumento nos preços dos produtos que compõem a cesta básica, como arroz, feijão, leite e óleo de soja.

Juliana Domingues, secretária nacional do consumidor da pasta, afirma que o papel da secretaria é técnico e que não está proibindo reajuste ou tabelando preços.

“Pelo contrário, está sendo feita uma avaliação dos motivos que levaram a esses reajustes de preços com o objetivo de entender todos os movimentos do mercado”, disse ela em entrevista à CNN.

Especialistas elencam alguns fatores que podem estar provocando a alta, como, por exemplo, o aumento das exportações e a desvalorização do real.

Juliana afirma que a Senacon recebeu os dados macro e, conforme uma reunião com os ministérios da Economia e da Agricultura, realmente identificou algumas justificativas para o aumento de preço.

Entretanto, diz, avalia-se a possibilidade de alternativas que permitam uma maior competitividade e a oferta aos consumidores de preços menores.

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Foto: CNN (09.set.2020)

“Essas ações são só no sentido de avaliar maior competitividade, porque nós fomos oficiados por diversos Procons, pelo Ministério Público, por representantes da OAB. Então, fomos instados a agir dentro da nossa coordenação de estudos e monitoramento de mercado”, explicou Juliana.

Foram emitidas notificações às principais empresas e associações do ramo de produção e distribuição de alimentos, como Urbano Agroindustrial, Cooperativa Agroindustrial, Cooperja, Grupo Nelson Wendt, Grupo Ceolin, Caal, Guacira alimentos, Brejeiro, São João Alimentos, Cooperja – Cooperativa Agroaceleradora e Cooperativa Juriti. 

No varejo, foram notificados Grupo Big, Carrefour, GPA (Pão de Açúcar), Cencosud, Sonda Supermercados, SDB Comércio de Alimentos, Mart Minas Distribuição, Companhia Zaffari, DMA Distribuidora e Savegnago Supermercados. 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já havia pedido "patriotismo" a supermercados para evitar a alta da cesta básica e, assim, segurarem a margem de lucro.

Questionada sobre o que o varejo poderia fazer para atender o pedido, Juliana disse acreditar que o apelo é muito mais no sentido de solidariedade no contexto da pandemia e que a secretaria não irá interferir.

"A livre iniciativa e a livre concorrência são princípios e valores que preservamos, assim como a proteção e defesa do consumidor", afirmou.