Bolsonaro 'vai ser cobrado' se não seguir a pauta liberal, diz Paulo Uebel

Ex-secretário de Desburocratização da Economia agradeceu ainda a Guedes e Bolsonaro por ter tido a "melhor oportunidade profissional" ao assumir o cargo

Da CNN, em São Paulo
10 de setembro de 2020 às 22:35

O ex-secretário de Desburocratização Paulo Uebel disse, em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (10), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve seguir a pauta liberal caso queira se reeleger.

“É uma das pautas que elegeu o presidente Bolsonaro. Então, para mim, ele vai seguir comprometido com essa pauta e vai ter que entregar resultados, porque, senão, depois, numa eventual reeleição, isso vai ser cobrado dele”, afirmou em entrevista à colunista Raquel Landim.

Segundo Uebel, “tem muita gente” engajada e comprometida com a pauta – como o ministro Paulo Guedes (Economia) e a equipe econômica.

Ele acrescentou que acredita que a reforma administrativa é o “maior programa social do governo federal”, e que a sua saída da pasta contribuiu muito para o debate do tema.

“[Minha saída] mostrou que existe muito apoio popular para a reforma administrativa ser elaborada, discutida e aprovada. Na minha opinião, é o maior programa social do governo federal porque vai impactar todos os serviços públicos, a qualidade da educação, saúde, assistência social, segurança, e como funciona o estado brasileiro”, argumentou.

Na avaliação de Uebel, a burocracia interna e a falta de meritocracia “comprometem em termos um Estado mais produtivo, mais eficiente e que entregue mais valor para a sociedade”.

A reforma administrativa entregue pelo governo ao Congresso Nacional não atinge os servidores atuais e não chega aos chamados membros dos poderes – aqueles que têm os salários mais altos do funcionalismo. 

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Paulo Uebel, ex-secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, do Ministério da Economia
Foto: CNN (10.set.2020)

Uebel disse que, como cidadão, gostaria que a reforma incluísse todos, mas enxerga as duas decisões como “válidas e legítimas”. Ele explicou que, com relação aos membros dos poderes, existe uma questão jurídica se haveria ou não constitucionalidade. Então, devido à judicialização, o governo optou por não incluí-los. “E para os atuais foi uma decisão política entender que é melhor fazer uma discussão para o futuro”, afirmou.

O ex-secretário pediu exoneração do cargo no início de agosto. No mesmo dia, o secretário de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, também se demitiu. 

“Entendi que cumpri meu ciclo no governo após 20 meses. Tive entregas substanciais na transformação digital, na parte da elaboração da reforma administrativa e em outros avanços na parte de gestão”, falou.

“E eu entendi que ia gerar mais valor fora do governo. Sou muito grato a Guedes e Bolsonaro pela oportunidade. Foi, sem dúvida, a maior e melhor oportunidade profissional da minha vida”, continuou.

(Edição do texto: Paulo Toledo Piza).