Morre Aloysio de Andrade Faria, fundador do conglomerado Alfa


Giovanna Bronze e Paula Bezerra, do CNN Brasil Business, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 13:58 | Atualizado 15 de setembro de 2020 às 23:37


O banqueiro Aloysio de Andrade Faria, criador do Banco Real e fundador do Conglomerado Alfa, morreu na manhã desta terça-feira (15), aos 99 anos. Segundo comunicado oficial do Conglomerado, Faria faleceu de causas naturais em sua fazenda, da região de Campinas, interior de São Paulo. O sepultamento será realizado em cerimônia restirata aos familiares e pessoas mais próximas.

Natural de Belo Horizonte, Faria atuou, ao longo de sua carreira, como acionista e controlador do Conglomerado Alfa, que acumula marcas como Banco Alfa, Agropalma, Água Mineral Prata, C&C, Hotéis Transamérica, Teatro Alfa, La Basque e Rádio Transamérica. Há mais de 20 anos, porém, deixou o comando das empresas para executivos que seguiam carreira no grupo. 

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“Incansável criador de negócios e oportunidades, Dr. Aloysio era um visionário e um homem à frente do seu tempo. Levou, por exemplo, o Banco Real a ser um dos primeiros bancos brasileiros a abrir agências no exterior. Ele é fonte de inspiração para nossa carreira”, afirma Fabio Amorosino, presidente do Conglomerado Financeiro Alfa.

Andrade de Faria deixa cinco filhas, que há anos vêm acompanhando a gestão das empresas como únicas herdeiras. 

Trajetória do empresário

Médico de formação, Aloysio de Andrade Faria também foi conhecido por ter sido controlador do Banco Real. Fundado em 1925, na época, com o nome de Banco da Lavoura de Minas Gerais, o banco foi uma das principais instituições financeiras do país.

Já em 1971, o Banco Lavoura de Minas passou a se chamar Real e, na sequência, em 1998, Faria deixou o comando da instituição, quando o holandês ABN Amro Bank assumiu o controle da instituição.

Em 2007, o Real ABN Amro Bank, já sem Aloysio como parte do quadro de acionistas, foi um protagonista no mercado ao ser vendido ao espanhol Santander. Além do Real, Faria também foi controlador do Delta Bank, com operações nos Estados Unidos.

“Pessoa de uma cultura impressionante, Dr. Aloysio deixa um exemplo de discrição, simplicidade e empreendedorismo. Seu modelo de gestão sempre foi baseado na valorização da ética, confiança, seriedade e competência”, diz Christophe Cadier, presidente do Conselho de Administração do Conglomerado.

Com a criação do conglomerado Alfa, Andrade Faria viu seu banco ser desmembrado em vários modelos de negócios, com o Banco Alfa, Banco Alfa Investimento, Alfa Financeira, Alfa Leasing, Alfa Corretora, Alfa Seguradora e Alfa Previdência. 

Já no leque de empresas não financeiras, o conglomerado acumula a Agropalma, Água Mineral Prata, C&C, La Basque, Soubach, Teatro Alfa, Hotéis Transamérica, ExpoCenter Transamérica, Rádio Transamérica, Rede Transamérica de Comunicação e Metro Táxi Aéreo. 

“É um momento de dor, mas também de muita responsabilidade, para darmos continuidade ao seu legado empresarial e pessoal, mantendo nossas empresas como exemplo de gestão competente, ética, séria e determinada a contribuir com a melhoria do país”, diz Antonio César Costa, membro do Conselho de Administração do Conglomerado Alfa.

Executivos lamentam

Líderes das principais instituições do setor bancário do país também comentaram a morte de Andrade Faria.

Para Sérgio Rial, presidente do banco Santander, Aloysio foi um exemplo de banqueiro e empresário comprometido com o desenvolvimento nacional. "Entre seus inúmeros legados, foi o fundador do Banco Real, cuja posterior incorporação pelo Santander foi decisiva para moldar os contornos de nossa presença e atuação no País. Suas realizações continuarão a inspirar as novas e futuras gerações de líderes do nosso Brasil”, diz o CEO, em nota.

Já Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, afirmou ter recebido a notícia com muita tristeza. "Ele era uma pessoa admirável e um empresário excepcional, certamente um dos responsáveis pela modernização do setor bancário no Brasil", afirma Bracher, em nota. "Era uma referência e nos impressionou a todos que tivemos a oportunidade de  conhecê-lo e acompanhar sua trajetória. Em nome de todos os colegas do Itaú Unibanco, presto nossa solidariedade aos familiares do Aloysio”, conclui.

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