Não podemos voltar nessas condições, diz associação dos peritos médicos

"Não estamos em movimento paredista", falou o presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) à CNN

Da CNN, em São Paulo
17 de setembro de 2020 às 15:11

O governo determinou retorno imediato dos peritos médicos federais às agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Quem se recusar a voltar ao trabalho pode ter o salário descontado.

Para Luiz Carlos Argolo, presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), não é correto que queiram abrir as agências que não estão preparadas de acordo com as normas sanitárias.

"Não estamos em movimento paredista. Nós somos médicos e preservamos as nossas vidas e as vidas alheias. Não podemos voltar nessas condições. Temos tempo hábil para retornar na próxima semana? Temos, assim que revistoriarmos as pendências que existiam nas agências. Se tivermos todas elas adequadas pelo laudo técnico, nós retornaremos imediatamente após a adequação", disse ele em entrevista à CNN nesta quinta-feira (17).

Segundo ele, todas as agências que foram vistoriadas apresentaram itens inadequados no que diz respeito às medidas de higiene impostas devido à pandemia do novo coronavírus.

Argolo contou que há consultórios com o sistema de ar condicionado que não segue os protocolos de segurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde, além de ambientes pequenos e que não conseguem adotar o distanciamento entre as pessoas. “Como querem que a gente volte se eles mesmos estão infringindo a norma regulamentadora?”, questionou.

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Luiz Carlos Argolo, presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos
Foto: CNN (17.set.2020)

“Ao longo dos seis meses de trabalho remoto, não tivemos problema. Vínhamos dialogando com o governo [sobre] todos os problemas decorrentes da Covid-19, o interesse em retornar, mas desde que tivéssemos condições para retornar”, argumentou.

E acrescentou: “O que aconteceu? O governo se preocupou na compra de incrementos de EPIs [Equipamento de Proteção Individual] e EPCs [Equipamento de Proteção Coletiva], e esqueceu das condições de agência. Um dos fatores de maior contaminação chama-se ar condicionado, ambiente fechado. Eles não fizeram nada. Tem lugares que nem ar condicionado tem”.

De acordo com Argolo, não foi feita nenhuma solicitação para a categoria. “Isso é um movimento sanitário. Não é certo que queiram abrir as agências em deficiência [sanitária]”.