Copom sinaliza que Selic deve permanecer em patamar baixo

Para o Copom, o regime fiscal não foi alterado; e as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas

Anna Russi,  do CNN Brasil Business, em Brasília
22 de setembro de 2020 às 10:01
Sede do Banco Central, em Brasília (16.mai.2017)
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O  Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que a taxa Selic não deve subir, uma vez que considera adequada a manutenção da chamada prescrição futura como instrumento de política monetária adicional.

"Para adequar a prescrição futura ao dinamismo dos limites impostos por questões prudenciais, o Comitê ponderou que ele deveria ter uma intenção de política assimétrica, em que, satisfeitas as condições necessárias, o Copom não elevaria a taxa de juros, mas poderia reduzi-la", informa a ata da reunião passada  publicada nesta terça-feira (22). 

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No entanto, admitindo que o uso desse  instrumento  em economias emergentes é mais complicado, o Copom condicionou  intenção para a política de juros a  dois outros fatores, além das expectativas e projeções de inflação no horizonte relevante: o regime  fiscal e à ancoragem da expectativa de inflação no longo  prazo. 

"Primeiro, à manutenção do regime fiscal, já que sua ruptura implicaria alterações significativas para a taxa de juros estrutural da economia. Segundo, à ancorage  das expectativas de inflação de longo prazo, tendo em vista que a desancoragem indicaria que os custos derivados do estímulo monetário estariam se sobrepondo a seus benefícios", explica. 

"O Copom avaliou que as condições para a manutenção do 'forward guidance' (prescrição futura) seguem satisfeitas. O comitê considera que as expectativas de inflação assim como as projeções de inflação de seu cenário básico encontram-se significativamente abaixo da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária; o regime fiscal não foi alterado; e as expectativas de inflação de longo prazo permanecem ancoradas", acrescenta a ata.

Assim como na ata da reunião anterior, o Copom informou que novas reduções da taxa básica de juros, se necessárias, exigiriam mais cautela, bem como seriam mais temporalmente espaçadas. 

“O Comitê refletiu que um ambiente com juros baixos sem precedentes pode gerar aumento da volatilidade de preços de ativos e afetar, sem o devido tempo necessário de transição para um novo ambiente, o bom funcionamento e a dinâmicado sistema financeiro e do mercado de capitais”, diz a ata.

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