Facebook remove contas na China que postavam sobre as eleições dos EUA

Os perfis administrados na China postavam conteúdos tanto a favor quanto contra Donald Trump e Joe Biden

Donie O'Sullivan da CNN Business
23 de setembro de 2020 às 11:32 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 12:05
Imagem ilustrativa com logo do Facebook
Foto: Dado Ruvic/Reuters

O Facebook afirmou na terça-feira (22) que fechou mais de 150 contas falsas que seriam administradas na China, incluindo algumas que postavam sobre a eleição presidencial dos Estados Unidos.

O Facebook confirmou que foi uma operação de pequena escala. Foi a primeira vez que a empresa divulgou detalhes sobre uma operação que teria base na China e que fazia posts sobre o pleito norte-americano, que acontece em novembro.

As contas “postaram conteúdo em apoio e contra os candidatos presidenciais Pete Buttigieg, Joe Biden e Donald Trump”, escreveu Nathaniel Gleicher, chefe de políticas de segurança do Facebook, em um post no site da empresa.

A Graphika, uma empresa de análise de mídia social contratada pelo Facebook para estudar a rede de contas, escreveu em seu relatório sobre o caso que “em 2019-2020, a operação começou a executar contas que se passavam por norte-americanas e publicou uma pequena quantidade de conteúdo sobre a eleição presidencial dos EUA. Diferentes agentes apoiaram o presidente Donald Trump e seu rival Joe Biden; um grupo de curta duração apoiou o ex-candidato presidencial Pete Buttigieg. A operação não escolheu dar tratamento preferencial a nenhum dos candidatos. Muitas das contas nesta fase da operação eram muito pouco ativas”. 

O Facebook não informou se as contas eram vinculadas ao governo chinês, apenas que as contas eram administradas na província chinesa de Fujian. A empresa ressaltou, no entanto, que elas publicavam em favor dos “interesses do governo chinês no Mar da China Meridional”.

A Graphika disse que contas na rede defenderam abertamente Pequim.

O diretor Gleicher enfatizou que a maior parte das atividades se concentrava no Sudeste Asiático e apenas uma pequena parte dos posts tratou das eleições de 2020.

No entanto, houve um senso de urgência no anúncio do Facebook feito na terça-feira.

A empresa normalmente divulga remoções como essa uma vez por mês – e o próximo anúncio era previsto para acontecer somente dentro de uma ou duas semanas.

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O chefe de políticas de segurança do Facebook disse a repórteres que, dada a natureza das descobertas da empresa, “pensamos que era importante que as pessoas estivessem cientes do que estamos vendo”.

Segundo a Graphika, a operação exposta na terça-feira começou no final de 2016 com uma postagem sobre Taiwan. Em 2018, o mesmo tipo de conta postou sobre as Filipinas e defendeu a influência chinesa na região. Ainda em 2018, a operação criou uma coleção de páginas que postavam para defender as ações da China no Mar da China Meridional.

De acordo com a Graphika, quando a operação começou a se concentrar nos Estados Unidos, “usou contas falsas para se passar por usuários politicamente engajados em ambos os lados da divisão partidária”. A empresa disse que o grupo não conquistou seguidores virais nos Estados Unidos.

A operação incluiu um Grupo do Facebook chamado “Biden Harris 2020”, que tinha 1.700 membros.

“A maneira como ele configurou páginas e contas para apoiar Trump, Biden e Buttigieg não sugeriu uma tentativa de apoiar um candidato”, concluiu Graphika.

E acrescentou: “É possível que a intenção fosse polarizar ainda mais o cenário político dos EUA, afirmando a visão que cada lado tem do outro lado. Mas, nesse caso, é estranho que a operação não tenha dado atenção a grupos e candidatos mais progressistas, como os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren”.

Ben Nimmo, chefe de investigações do Graphika, disse à CNN que “o conteúdo focado nos EUA foi a última parte da operação. Havia grupos separados para apoiar o presidente Trump, o vice-presidente Biden e Pete Buttigieg. Juntos, eles tinham menos de dois mil membros. Algumas das contas falsas não envolviam nenhum conteúdo político e, em vez disso, apoiavam conteúdo das forças armadas dos EUA. A maioria das contas com foco nos Estados Unidos foi removida quando tinham alguns meses de uso, então não deu tempo de construir um público substancial”.

No início deste mês, o Facebook anunciou que recebeu uma dica do FBI que o levou a expor uma postagem falsa de um meio de comunicação de esquerda. O post falava da eleição de 2020 e dizia que o Facebook estava de certa forma ligado a um grupo de trolls russo.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).