Retomada: empresas querem ajudar PMEs com gestão e captação de investimento

O universo de PMEs no Brasil é gigantesco e cheio de nuances, o que naturalmente gera uma série de demandas diferentes de serviços

Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
25 de setembro de 2020 às 11:42 | Atualizado 25 de setembro de 2020 às 15:32
Mundo das pequenas e médias empresas: controle de gastos e gestão interna estão entre iniciativas oferecidas de empresas especializadas a 'ajudar' os empreendedores  
Foto: Headway/Unsplash

O universo de PMEs no Brasil é gigantesco e cheio de nuances, o que naturalmente gera uma série de demandas diferentes de serviços. Há desde empresas que necessitam de ajuda na organização e gestão do negócio em si, até companhias já estabelecidas que buscam parceiros para investir no seu negócio e consolidar seu escopo de atuação no mercado.

Além disso, a crise econômica provocada pelo novo coronavírus traz novos desafios para as empresas. Segundo dados do Sebrae, o faturamento de companhias deste perfil apresentou queda de 27,5% já em março de 2020 em relação a março de 2019. Por isso, é preciso encontrar soluções que atendam as necessidades de curto, médio e longo prazo, sejam elas de sobrivência ou consolidação.

Para fazer a ponte entre essas empresas mais maduras e possíveis investidores que buscam diversificar seu portfólio, o Grupo Solum lançou a plataforma beegin. A modalidade Invest do site funciona como um portal de corretora, apresentando informações societárias e financeiras das companhias que passam no processo avaliativo interno, além da captação pretendida.

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Sócia do Grupo Solum e CEO da beegin, Patricia Stille afirma que existe um vácuo entre startups vedetes, a indústria de fundos e o restante das empresas que buscam investimento externo. “Entre os principais problemas estão a assimetria de informações, acordos informais em arranjos societários e financiamentos, práticas imaturas de governança e ausência de padrões em relatórios financeiros e gerenciais”, diz. 

“Além disso, muitos empresários não sabem nem por onde começar para se organizar e atrair investidores.” A plataforma recebe, então, candidaturas de empresas com faturamento de pelo menos R$ 3 milhões ao ano e submete as pretendentes a um time de análise que chancela, ou não, as candidaturas.

“Temos diretrizes de alguns setores que estamos buscamos, entre eles o de saúde. Áreas de educação, veterinária e alimentos também. Mas independente disso, vamos sentar e ouvir as propostas das candidatas”, explica Patricia. 

Com registro na CVM, a plataforma pretende disponibilizar uma “versão pocket” dos balanços financeiros das companhias para que os investidores consigam ter um conhecimento mais aprofundado dos negócios em que estão colocando o seu dinheiro.

Patricia e Rodrigo Fiszman, outro sócio do grupo, são ex-sócios da XP. “Sabemos o que causa insegurança e o que provoca brilho nos olhos dos investidores”, diz. “Nosso objetivo é oferecer participações em excelentes empresas, que já passaram pela fase de validação do modelo de negócio e são geradoras de receita.”

Pedro Janot, ex-CEO e cofundador da Azul, e Alexandre Amitay, ex-consultor da Bain&Co, completam o time da Solum, que gere um fundo de Venture Capital.

Gestão interna

Outra vertente da beegin é a Tech, sistema que ajuda as empresas na gestão do relacionamento com seus acionistas e potenciais investidores. A beegin.tech traz funcionalidades para organizar relatórios de resultados, indicadores, documentos e informações societárias, além de módulo para gerenciar as atividades de conselhos de administração. 

Para Patricia, o produto auxilia as empresas “a falar a língua do mercado de capitais”. Os dois serviços do site são segregados, sem ligação direta, mas a ideia é "criar engrenagem bem oleada para dar condições para os investidores entrarem neste mercado e para os empresários entenderem a lógica do mercado e lógica societária.”

A crise não ajudou os planos da beegin, mas a gestora entende que há uma urgência de todas as partes. “Atrasamos o lançamento, já que o ambiente está complicado. Mas as empresas precisam de funding e, com esse momento de juros baixos, o apetite dos investidores está voltando”, completa.

Investimento no Brasil

Também focada em facilitar os processos de gestão interna das empresas, a gigante americana Intuit pretende investir pesado no Brasil. “A gente abraçou esse momento de crise, que acelerou a digitalização”,  explica Davi Viana, head de vendas. “Estamos presentes em 9 países, e o Brasil deve ser o terceiro em termos de investimento.”

Seu carro chefe, chamado QuickBooks, é uma ferramenta na nuvem que ajuda o empresário a entender seu fluxo de caixa, organizar pagamentos, gestão à vista do seu negócio. Para Viana, há muitas empresas negativadas, mas outras que simplesmente não conseguem demonstrar sua saúde financeira.

“No Brasil, existe muito a cultura da terceirização de serviços. Por isso, também temos como grandes parceiros os contadores, que utilizam os softwares de fato”, diz. Apesar disso, a empresa também conta com produtos de entrada, como o Simple Start, focados em autônomos, MEIs.

Concorrente da Conta Azul localmente, a receita da Intuit cresceu 13% globalmente comparando o ano fiscal de agosto de 2019 à julho de 2020 com o período imediatamente anterior, a US$ 7,7 bilhões.

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