Banco Central quer estimular entrada de novos competidores no open banking

A expectativa do BC é que essa abertura ajude a solucionar problemas constantes do sistema financeiro, como os altos custos e a baixa inclusão da população

Estadão Conteúdo
29 de setembro de 2020 às 14:34 | Atualizado 29 de setembro de 2020 às 14:35
Prédio do Banco Central, em Brasília: autarquia quer mais competidores no setor financeiro
Foto: Adriano Machado/Reuters

O diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso, disse que o Open Banking - espécie de plataforma que permitirá o compartilhamento de dados de clientes – permitirá que novos agentes possam oferecer seus serviços aos consumidores e ajudará a reduzir custos.

"Vamos ampliar o leque para permitir que players que estão à margem possam participar do Open Baking", afirmou, em evento virtual promovido pela consultoria Uqbar.

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Segundo Damaso, a expectativa do Banco Central é que essa abertura ajude a solucionar "gaps" do sistema financeiro, como os altos custos e a baixa inclusão da população. Ele também acredita que serão oferecidos produtos financeiros cada vez mais personalizados para os clientes, que estarão "no centro" da escolha.

"O Open Banking é o Banco Central dando a plataforma para o sistema privado se desenvolver. Cabe à sociedade, aos entrantes e aos agentes fazer a transformação", completou.

Damaso disse que o regulador tem olhado com atenção os riscos desse processo digital, tanto na transição quanto riscos físicos, de perdas financeiras com choques externos.

Produtor sustentável

Damaso também disse que a instituição vai criar "em breve" um incentivo no direcionamento de crédito, para que produtores rurais possam se engajar mais na agenda de sustentabilidade. "(Queremos) criar um incentivo para a migração do crédito para essas operações sustentáveis", afirmou.

Em outro evento, desta vez organizado pelo Banco Safra, Damaso disse que, atualmente, o consumidor está exigindo cada vez mais a sustentabilidade nos produtos que ele compra. "A própria indústria, o próprio produtor, está se adaptando para atender esta demanda", afirmou.

Riscos

O diretor de Regulação do BC também afirmou que há três riscos principais para as instituições financeiras ligados à sustentabilidade ambiental. O primeiro deles é o risco de crédito. "O sistema financeiro precisa olhar para seu cliente e ver se ele vai ter capacidade de honrar o crédito, observando os fatores climáticos", afirmou.

O segundo risco, conforme Damaso, é o legal, que envolve conceder crédito a quem não cumpre as regras socioambientais. Já o terceiro risco está ligado à reputação das empresas. Damaso lembrou que clientes podem decidir trocar de instituição financeira, caso haja descumprimento de normas socioambientais.

Efeitos de eventos climáticos

A diretora de Assuntos Internacionais do Banco Central, Fernanda Nechio, afirmou que eventos climáticos extremos têm efeitos nos preços relativos da economia, o que acaba por afetar a política monetária. Segundo ela, o BC tem atuado para mitigar os riscos climáticos e socioambientais, que podem afetar a atuação da autarquia.

"Temos uma postura do BC, de muitos anos, que é de olhar e se preocupar com questões socioambientais. Agenda que lançamos em 8 de setembro é a continuidade disso", afirmou a diretora, em referência à agenda de ações lançada pela autarquia. "As questões climáticas têm tido visibilidade bastante grande. Preocupações do BC englobam questões climáticas e socioambientais."

Fernanda Nechio lembrou ainda que os principais objetivos do BC são manter a estabilidade da moeda e do sistema financeiro. "Nossa atuação socioambiental está sendo motivada por objetivos do BC", afirmou. "Nossa intenção é continuar na fronteira de atuação."

A diretora do Banco Central disse também que os riscos climáticos e socioambientais "podem acontecer ao longo do tempo, mas também englobam riscos que são presentes". Ela citou como exemplos enchentes e incêndios que têm ocorrido com maior regularidade, influenciando o trabalho de bancos centrais e governos em todo o mundo.

"Os incêndios na Califórnia são um exemplo. O sistema de crédito dos EUA depende bastante do mercado imobiliário", lembrou Fernanda Nechio.

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