Real tem pior desempenho do mundo em dia de anúncio frustrante do governo

O mercado entendeu que o governo quer aumentar as despesas de forma permanente sem nenhuma compensação, ou pior, sem prever de onde virão as receitas

Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
29 de setembro de 2020 às 07:10 | Atualizado 29 de setembro de 2020 às 07:13
Capa do podcast Abertura de Mercado
Foto: CNN Brasil

O mercado financeiro reagiu muito mal aos anúncios feitos pelo presidente Bolsonaro. Minutos depois do anúncio o dólar começou a subir com força e a bolsa, ao contrário, passou a cair. Primeiro, porque os investidores esperavam detalhes da reforma tributária que, por enquanto, não conseguiu avançar. Segundo, porque o governo anunciou o novo programa social – como era esperado – mas sem fazer nenhum tipo de corte de gasto para compensar.

No episódio de hoje:

- A semana começou com grande expectativa de que a agenda econômica ia, finalmente, deslanchar;
- Durante o fim de semana, o governo se debruçou sobre a proposta de reforma tributária e também do novo programa social do governo Jair Bolsonaro, o Renda Cidadã;
- Coube ao próprio presidente anunciar que o Bolsa Família e o auxílio emergencial serão substituídos em 2021 pelo novo programa;
- Sem receitas novas, o jeito foi anunciar que o governo vai manobrar o dinheiro já existente;
- Para bancar o novo programa, o governo quer usar parte dos precatórios e também vai destinar dinheiro novo que deveria ir para a educação básica através do Fundeb;
- A reforma tributária não avançou porque não houve entendimento político;
- Um dos temas mais polêmicos da proposta é a criação de um imposto sobre transações financeiras, uma espécie de renascimento da CPMF; 
- Diretor da Instituição Fiscal Independente, Felipe Salto diz que limitar o pagamento dos precatórios é um eufemismo para dizer que o governo vai empurrar a dívida com a barriga;
- Fica no limite do que poderia ser considerado calote, disse o economista;
- Sobre usar 5% do Fundeb, ele diz que a medida é preocupante porque pode representar uma maneira de desviar do cumprimento do teto de gastos;
- Também houve igual reação negativa de especialistas em educação básica, já que o setor vai perder 5% do recente reforço de orçamento;
- O mercado financeiro reagiu muito mal ao anúncio feito pelo presidente Bolsonaro;
- Minutos depois do anúncio o dólar começou a subir com força e a bolsa, ao contrário, passou a cair;
- Primeiro, porque os investidores esperavam detalhes da reforma tributária que, por enquanto, não conseguiu avançar;
- Segundo, porque o governo anunciou o novo programa social – como era esperado – mas sem fazer nenhum tipo de corte de gasto para compensar;
- Ou seja, o governo quer aumentar as despesas de forma permanente, sem nenhuma compensação ou, o pior, sem prever de forma mais clara de onde virão as receitas;
- Com isso, o dólar subiu chegou a subir 2% e o Banco Central voltou a intervir com a venda de quase US$ 900 milhões no mercado;
- Mesmo assim, a moeda fechou a segunda-feira em alta de 1,46%, a R$ 5,63;
- O real foi a moeda com o pior desempenho do mundo ontem entre as 35 principais divisas acompanhadas pela agência Reuters;
- Já o Ibovespa caiu 2,41% e fechou o dia aos 94.666 pontos;
- A bolsa brasileira ignorou as altas próximas de 2% vistas em Nova York e a valorização superior a 3% vista ontem na Europa;
- O ministério do Meio Ambiente aprovou ontem a extinção de duas resoluções que delimitavam áreas de proteção permanente de manguezais e de restingas do litoral brasileiro;
- A revogação dessas regras abre espaço para exploração e especulação imobiliária nas faixas de vegetação das praias e ocupação de áreas de mangues para produção de camarão;
- Presidido pelo ministro Ricardo Salles, o Conama revogou também uma resolução que exigia licenciamento ambiental para projetos de irrigação;
- No passado, o órgão tinha a maioria dos votos de estados, municípios e sociedade civil;
- Com a redistribuição das cadeiras feita na gestão Bolsonaro, no entanto, o governo junto com o setor agropecuário passaram a ter a maioria dos votos;
- A Cosan anunciou que vai cancelar planos de lançar ações de sua subsidiária Compass Gás e Energia;
- Segundo a companhia, a deterioração das condições do mercado é o principal fator para a desistência;
- A empresa havia solicitado aval da Comissão de Valores Mobiliários para a oferta de ações no fim de julho e os papéis estavam previstas para estrear no dia 30 de setembro; 
- Havia a expectativa de que a empresa conseguisse levantar quase R$ 4,5 bi com a venda das ações;
- Mas, com a piora das condições do mercado, o interesse dos investidores deve ter caído, o que resultaria em uma operação com valor menor que o desejado pela empresa; 
- Inclusive, o mercado brasileiro registrou neste ano, com pandemia e tudo, a realização de 15 ofertas iniciais de ações;
- Mas dessas 15 empresas, só seis ações acumlaram alta de preços até agora;
- Ou seja, quem investiu nas outras nove ações estreantes perdeu dinheiro até aqui;
- Entre as ações que se deram bem, a Locaweb de infraestrutura para internet subiu 231%. Do outro lado, as ações da construtora Moura Dubeux caíram 48% desde a estreia;
- AGENDA: FGV anuncia às 8h da manhã a inflação medida pelo IGP-M de setembro;
- Na Europa, saem dados sobre confiança em toda a zona do euro;
- Nos Estados Unidos, vários diretores do Federal Reserve, discursam;
- Na China, a partir de 22h no horário de Brasília, saem dados antecedentes sobre a atividade econômica no mês de setembro;
- Também a partir das 10 da noite acontece o primeiro debate entre Donald Trump e Joe Biden na corrida eleitoral pelos EUA.

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