Rombo das contas públicas renova recorde e soma R$ 87,5 bilhões em agosto

O resultado é cerca de 6,5 vezes pior que o registrado no mesmo mês do ano passado

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
30 de setembro de 2020 às 10:10 | Atualizado 30 de setembro de 2020 às 10:26
Notas de dinheiro
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O setor público consolidado registrou rombo fiscal de R$ 87,594 bilhões em agosto. O valor é o maior rombo da série histórica, iniciada em 2001, para meses de agosto. O resultado é cerca de 6,5 vezes pior que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando o déficit foi de R$ 13,448.

Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (3). O resultado do setor público consolidado inclui as contas do governo federal, dos governos regionais e das estatais federais. O déficit primário não inclui as despesas com juros e mostra que o valor arrecadado no mês passado não foi suficiente para cobrir as despesas. 

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Apenas as contas do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram déficit de R$ 96,471 bilhões no mês passado. As contas das empresas estatais ficaram negativas em R$ 219 milhões. Por outro lado, estados e municípios foram superavitários em R$ 9,096 bilhões.

Acumulado do ano

De janeiro a agosto, o buraco fiscal já alcançou R$ 571,367 bilhões. Além de ser o pior resultado da série histórica, o número é bem superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o déficit era de R$ 21,950 bi. 

O déficit nominal das contas públicas, que inclui os valores gastos com juros, alcançou R$ 121,879 bilhões em agosto. No acumulado do ano, o valor sobe para R$ 785,103 bilhões, equivalente a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB).*

Por incluir as despesas com juros, o resultado nominal sofre impacto direto das atuações do Banco Central na política monetária e cambial, como contratos de swap cambial e redução da taxa básica de juros, Selic, que está na mínima histórica de 2% ao ano. Sozinhos, os gastos públicos com juros somaram R$ 34,285 bilhões em agosto. A mesma despesa já totaliza R$ 213,736 bilhões no ano.

Com o aumento dos gastos públicos por conta do combate ao vírus e a possibilidade de prorrogação de alguns programas emergenciais, a equipe econômica espera que o déficit primário do setor público seja de R$ 871 bilhões este ano. Em 2019, as contas do setor público consolidado tiveram o sexto ano consecutivo de déficit primário, negativo em R$ 61,87 bilhões, equivalente a 0,85% do PIB. 

Dívida também renova recorde 

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) também renovou recorde, atingindo 88,8% do PIB em agosto, maior valor da série histórica, iniciada em 2006. Em julho o percentual era de 86,4%. 

Em agosto, o saldo da DBGG saltou de R$ 6,210 trilhões para R$ 6,389 tri. O indicador serve como referência para as agências de classificação de risco, que define a atratividade de investimentos dos países. No ano passado, a DBGG encerrou em R$ 5,50 trilhões. 

Por conta do aumento dos gastos públicos, que consequentemente vão elevar o endividamento público, a equipe econômica estima que a DBGG/PIB deve alcançar os 94% em 2020, dependendo do desempenho da atividade econômica. Em dezembro de 2019, o indicador estava em 75,8% do PIB.

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